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Sismo no governo do Japão

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Sismo no governo do Japão

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Segunda-feira negra para Shinzo Abe. Em poucas horas, o chefe do governo japonês perdeu duas ministras. A titular da pasta da Justiça apresentou a demissão ao primeiro-ministro. Midori Matsushima terá violado a lei eleitoral ao distribuir leques com a sua fotografia e o seu nome.

Horas antes, foi Yuko Obuchi, a ministra do Comércio e Indústria, a abandonar o posto, suspeita de ter gasto 10 milhões de yens – cerca de 74.000 euros — em atividades nada políticas, como a compra de produtos de beleza.

Em conferência de imprensa, Yuko Obuchi explicou: “A paralisação da elaboração das políticas económicas e de energia devido aos meus próprios problemas, não é aceitável. Renuncio ao meu cargo de ministra para permitir a investigação sobre as suspeitas levantadas.”

A demissão de duas das cinco ministras do seu executivo é um rude golpe para Shinzo Abe e representa as primeiras baixas em dois anos de governo. Há menos de dois meses – no início de setembro – aquando da restruturação, o primeiro-ministro apostou numa equipa mais feminina, num país reputadamente machista.

Estas duas mulheres eram essenciais para levarem a cabo as difíceis reformas de que o país precisa. No espírito do primeiro-ministro, elas encarnavam a estratégia que batizou “womenomics” – integrada na estratégia global “Abenomics” – e que visava impulsionar a economia através das reformas estruturais que o próprio Fundo Monetário Internacional reclama.

Yuko Obuchi foi a primeira mulher a ser nomeada para a pasta do Comércio e Indústria. Abe esperava fazer dela um símbolo que atraísse, em massa, as mulheres japonesas para o mercado de trabalho, e assim impulsionar a economia japonesa.

Abe estava também convencido que esta mulher, de 40 anos e mãe de duas crianças, poderia encontrar as palavras certas para convencer os habitantes das zonas onde estão implantadas as centrais nucleares a relançar a energia atómica no país, após a paragem de todas as centrais na consequência da catástrofe de Fukushima, em 2011.

Shinzo Abe já pediu desculpa pelas suas escolhas.