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IXV: O Desafio da Reentrada na Atmosfera

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IXV: O Desafio da Reentrada na Atmosfera

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Subir até ao espaço é considerado normalmente o cerne da questão. Mas e o regresso à Terra? A reentrada na atmosfera é, na verdade, um dos maiores desafios da aventura espacial. Por isso, os europeus criou uma nave chamada IXV que irá testar novas possibilidades precisamente no reencontro com o nosso planeta.

É uma viagem única, até porque é impossível de recriar artificialmente a experiência. As aprendizagens têm sido feitas através de descidas efetivas sobre a atmosfera. E é precisamente isso que a mais recente nave da Agência Espacial Europeia (ESA) vai fazer em novembro, como explica o coordenador de projeto, Giorgio Tumino: “O objetivo da missão do IXV é o de passar a controlar aquelas zonas cinzentas que desconhecemos acerca da reentrada atmosférica.”

É para colmatar essas falhas que o IXV vai ser transportado pelo foguete Vega até a uma altitude de 430 quilómetros – tanto quanto a Estação Espacial Internacional – para depois voltar a um ponto específico da Terra. Regressar à Terra é toda uma outra aventura. A velocidade transforma-se em calor. O IXV deverá atingir os 28 mil quilómetros por hora no espaço. À medida que descer, a fricção com a atmosfera terrestre vai aquecer partes do aparelho até aos 1800 graus Celsius.

O pico deste fenómeno é atingido a uma altitude muito específica – é uma zona da atmosfera, segundo o especialista José Longo, crucial: ou se consegue atravessar ou acontece o pior. “Os veículos que não foram desenhados para a reentrada – as naves normais, os satélites -, todos eles cedem entre os 80 e os 75 quilómetros”, afirma Longo, responsável de Aerotermodinâmica na ESA.

Holger Krag, outro especialista da Agência Espacial Europeia, ajuda-nos a perceber o que está em jogo. Uma das suas funções é monitorizar a queda de lixo espacial na Terra. “Demora cerca de meia hora desde que se inicia a manobra de reentrada até ao solo terrestre. Do ponto em que a nave começa a aquecer – em torno dos 90, 80 quilómetros – até ao chão, são 10 minutos”, aponta Krag.

Uma das grandes inovações testadas no IXV é a forma do veículo. As cápsulas atuais, como o Soyuz e nova Orion, têm um formato achatado, o que não facilita a aterragem em pontos precisos. O vaivém da NASA foi criado para poder pousar numa pista. Mas, em 2003, danos no revestimento térmico provocaram a tragédia do Columbia, o que obrigou a repensar as estruturas. O IXV tem um sistema de sustentação que é um compromisso a meio caminho, favorecendo o controlo e as operações de manobra.

Segundo Tumino, “quando vemos todas as possibilidade que há no que respeita ao regresso de astronautas, ou de recolha de amostras em asteróides, ou ainda de Marte – a longo prazo -, é esta a tecnologia que é preciso ter a bordo para poder voltar à Terra.” José Longo conclui: “Nem as simulações por computador, nem as experiências com túneis de vento, por exemplo, são fiéis à realidade. No final, é incontornável a parte do voo.” Por mais que a exploração do universo nos faça sonhar, talvez o essencial seja mesmo saber como se regressa a casa.