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Hungria: Taxa sobre Internet provoca revolta antigoverno

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Hungria: Taxa sobre Internet provoca revolta antigoverno

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Começou como uma manifestação pacífica de milhares de pessoas, na capital da Hungria, contra a proposta de lei do governo para impor uma taxa sobre a utilização da internet. De repente, com a intromissão de alguns grupos radicais, passou a um ataque contra o partido que está no poder, o Fidesz, de Viktor Orban.

Peças obsoletas de computadores e objetos similares foram atirados contra o edifício-sede do partido e várias janelas acabaram partidas. A manifestação tornada revolta contra o governo levou à intervenção da polícia. O ambiente ficou tenso.

O grosso dos manifestantes acusavam o governo de estar a ser “retrógrado” com a imposição desta taxa e gritavam: “Libertem a Hungria, libertem a internet”. Para alguns, este novo imposto é apenas a gota de água. “Não é só por causa da taxa de Internet. Nós estamos fartos do governo. Estamos fartos de nos roubarem e da corrupção”, acusou uma húngara que participou no protesto.

Um dos organizadores da manifestação, Balázs Gulyás, leu um comunicado a apelar ao protesto: “Não se deixem ser rasgados do resto do Mundo. Este imposto, na verdade, está a tirar a Hungria do Mundo. O desenvolvimento tecnológico e milhares de postos de trabalho vão ficar em risco. Assim como toda a economia.”

A controversa proposta de lei foi apresentada na semana pelo ministro húngaro da Economia, Mihaly Varga. A taxa proposta era de 150 forints (cerca de 50 cêntimos de euro) por cada “gigabyte” transferido e prevê uma receita para o governo de 60 milhões de euros anuais, tendo sido inclusive já incluída no orçamento de Estado húngaro para 2015.

O povo está contra e mesmo em Bruxelas a ideia foi alvo de críticas. O responsável da União Europeia para a comunicação digital, Neelie Kroes, escreveu na rede social Twitter que a proposta representava “uma vergonha para o governo húngaro.”

O governo, entretanto, já deu mostras de hesitação em levar a ideia para a frente ao decidir alterar a proposta para uma contribuição máxima fixada nos 2,2 euros mensais para utilizadores privados e de 16 euros para empresas. Dentro do Fidesz, por fim, já há mesmo no grupo de trabalho sobre comunicações quem peça a retirada total da proposta. A discussao parlamentar desta proposta de lei está prevista para esta semana. Os promotores dos protestos prometem manter as manifestações se a taxa sobre a internet for para a frente.