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EUA aplaudem resultado de eleições ucranianas

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EUA aplaudem resultado de eleições ucranianas

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As eleições legislativas na Ucrânia foram saudadas como um sucesso pelo presidente dos Estados Unidos. Um marco histórico para o desenvolvimento da democracia ucraniana, segundo Barack Obama. A OSCE classificou as eleições como limpas e livres. O resultado foi uma vitória das forças pró-europeias, nomeadamente o partido do primeiro-ministro Arseny Yatseniuk, agora legitimado pelas urnas.

É uma vitória também do presidente ucraniano Petro Poroshenko, que fez mesmo uma visita surpresa a uma assembleia de voto no leste do país. Com este escrutínio favorável, Poroshenko tem agora carta branca para pôr em prática o plano de paz e sair da órbita russa. O chefe da diplomacia da Rússia, Serguei Lavrov, deu a entender que Moscovo reconhecia os resultados: “Tenho a certeza de que teremos pessoas com quem falar no parlamento e no governo da Ucrânia, visto a força principal ser o bloco de Petro Poroshenko, que é nosso parceiro e parceiro do nosso presidente na luta pelo respeito dos acordos de paz de Minsk, entre as autoridades de Kiev e os rebeldes de Luhansk e Donetsk. Esses acordos foram conseguidos, como sabe, graças à assistência da Rússia e da OSCE”, disse Lavrov.

O quadro está longe de ser perfeito. Há três milhões de eleitores que vivem na zona rebelde e foram excluídos do escrutínio de domingo. O mais preocupante é que os separatistas do leste anunciaram uma votação para o dia 2 de novembro, enquanto Kiev propunha a data de 7 de dezembro. A Rússia deu a entender que reconheceria estas eleições, ao contrário de Kiev e das potências ocidentais.

Stefan Grobe, euronews: Na Brookings Institution tenho o antigo embaixador dos Estados Unidos na Ucrânia, Steven Pifer. Embaixador Pfier, gostaria que falássemos sobre o resultado destas eleições. Houve uma vitória esmagadora dos partidos pró-europeus. Ao mesmo tempo, as formações pró-russas parecem aproximar-se da extinção. Era neste o resultado que Washington depositava esperanças?

Steven Pifer: Havia dois resultados nos quais Washington depositava esperanças. Um deles tinha a ver com o processo eleitoral. Os observadores da OSCE e de outras instituições internacionais deram às eleições notas altas, por se terem passado de forma democrática. Foram eleições democráticas, com a legitimidade que a população lhes deu, e refletem a vontade dos eleitores.

Por isso, os resultados são uma boa notícia. Além disso, o facto de a maioria dos lugares no parlamento ser ocupada por partidos favoráveis às reformas e a uma aproximação da União Europeia, parece ser o caminho lógico para a Ucrânia. A constelação que vamos ter no parlamento ucraniano é um bom sinal.

Stefan Grobe, euronews: O novo governo vai enfrentar grandes desafios. Há a relutância de Moscovo em aceitar a aproximação política e e económica à Europa. Vamos assistir a uma posição mais dura de Moscovo em relação à Ucrânia?

Steven Pifer: O que vimos até agora é que os russos não estão prontos a facilitar um apaziguamento do leste ucraniano. Há também um problema a longo prazo, que é o da Crimeia, onde a disputa se mantém.

Os russos estão, provavelmente, descontentes com o resultado destas eleições, mesmo se na segunda-feira o ministro Lavrov disse que reconhecia esses resultados. Se olharmos para o que aconteceu, há só um partido, o Bloco de Oposição, que tem algumas simpatias pró-russas, mesmo assim remotas. O facto de os partidos pró-russos terem uma representação tão baixa no parlamento é culpa da Rússia.

Em primeiro lugar, a agressão contra a Ucrânia cristalizou a identidade nacional no seio do país, que vê agora a Europa como modelo.Em segundo lugar, o facto de os eleitores na Crimeia e na região de Luhansk, zonas predominantemente pró-russas, não poderem votar, penalizou o voto pró-russo. Não deixaram as pessoas votar e, como resultado, há um só partido representado no parlamento a ter simpatia com as políticas pró-russas.

Stefan Grobe, euronews: O pêndulo pode pender outra vez para o outro lado, se este governo não conseguir resultados em termos de criação de emprego, luta contra a inflação e contra a corrupção?

Steven Pifer: Essa possibilidade existe. Mesmo se o presidente Poroshenko e o primeiro-ministro Yatsenyuk parecem perceber que a Ucrânia tem uma grande oportunidade e perdê-la seria destrutivo para a Ucrânia e faria o país recuar vários anos, ou mesmo décadas.

Stefan Grobe: Conhece o país muito bem, esteve lá como embaixador dos Estados Unidos. Se tivesse hoje esse cargo, que conselhos daria ao presidente Obama?

Steven Pifer: A mensagem, quer da Europa, quer dos Estados Unidos para a Ucrânia, tem de ser a seguinte: têm um bom espetro politico, têm a possibilidade de formar uma boa maioria no parlamento, mesmo uma maioria suficiente para mudar a Constituição.

Há uma maioria, um presidente e um primeiro-ministro que podem trabalhar juntos. É essa a oportunidade da Ucrânia, mesmo em circunstâncias difíceis. Agora, a mensagem do Ocidente tem de ser a de que o país precisa de avançar para reformas que reflitam os valores articulados ao longo dos últimos seis ou sete meses, para que as coisas se tornem realidade.