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Nigéria minimiza violência nas negociações com o Boko Haram

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Nigéria minimiza violência nas negociações com o Boko Haram

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Os últimos dias têm sido marcados na Nigéria pelas negociações entre o governo e o grupo fundamentalista do Boko Haram pela libertação das mais de 200 raparigas raptadas em abril. Mas também por vários atos de violência, incluindo novos raptos e assassinatos apontados a militantes do grupo rebelde islamita, apesar do cessar-fogo alegadamente assinado entre as partes há quase duas semanas, mas até agora apenas confirmado pelas forças armadas nigerianas.

Para o ministro dos Negócios Estrangeiros nigeriano, Aminu Wali, as negociações com o Boko Haram, que decorrem no Chade, não estão em risco, havendo até possibilidade de colocar sobre a mesa os recém-sequestrados, caso de um cidadão alemão raptado na semana passada ao mesmo tempo que um compatriota era morto por um grupo armado.

“Suspeitamos que alguns dissidentes do próprio Boko Haram possam ter provocado esses atos de violência com o objetivo de parar o cessar-fogo decretado há dias. Isto não é, porém, algo que coloque em risco as negociações em curso. Vamos fazer também um esforço para resgatar aqueles que foram entretanto sequestrados”, afirmou Aminu Wali após uma reunião com os homólogos alemão e francês, respetivamente Frank-Walter Steinmeier e Laurent Fabius, que se deslocaram segunda-feira à capital nigeriana, Abuja.

O responsável diplomático francês diz ser essencial manter a luta contra os fundamentalistas: “Nós apoiamos-vos na vossa luta contra o terrorismo, contra o Boko Haram. É um combate necessário. Não só para a Nigéria, mas para toda a região.”

O rapto das mais de 200 raparigas aconteceu há seis meses, durante uma noite de meados de abril, numa escola de Chibock, a norte do estado nigeriano de Borno. O caso chocou o mundo e sucederam-se campanhas civis pela internet a apelar ao grupo islâmico pela libertação das estudantes. Sem sucesso.

De acordo com um relatório divulgado recentemente pela organização Human Rights Watch (HRW ou em português Observatório dos Direitos Humanos), mas de 500 raparigas e mulheres foram sequestradas na Nigéria pelos extremistas do Boko Haram desde o início da revolta do grupo contra o governo local, em 2009. A HRW acusa as autoridades nigerianas de terem tratado com leviandade o caso das 200 raparigas raptadas em abril.

Na última semana, outras 30 crianças foram sequestradas em mais um caso relacionado ao Boko Haram. Desde o final da semana passada, pelo menos 17 pessoas foram mortas após novo ataque, de novo em Borno, apontado a militantes afetos ao grupo fundamentalista islâmico.