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Fed termina programa de compra de ativos

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Fed termina programa de compra de ativos

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Como era esperado, a Reserva Federal dos Estados Unidos da América, anunciou o fim do programa de compra de obrigações mensais e frisou que acredita que o país seguirá o caminho da recuperação económica, apesar dos sinais de desaceleração noutros países.

Para evitar esta situação a Fed diz que as taxas de juro permanecerão baixas, durante mais algum tempo.

O Banco Central norte-americano lançou o programa, em setembro de 2012, para promover a recuperação económica do país, fragilizado pela grave crise financeira, que começou em 2008.

O programa, repartido por três rondas, foi lançado por Ben Bernanke, antecessor de Janet Yellen no Banco Central norte-americano. Até 2013, a Fed injetava 85 mil milhões de dólares, por mês, no sistema financeiro. Este valor foi sendo, gradualmente, reduzido e termina este mês.

A Reserva Federal reiterou ainda que será possível atingir a meta dos 2% em termos de inflação.

Oleksandra Vakulina, euronews:

Junta-se a nós, a partir de Washington o correspondente da euronews Stefan Grobe. Desde 2008, a Reserva Federal lançou três fases do programa de compra de títulos, os dois primeiros foram destinados, principalmente, à estabilização do sistema financeiro e, a mais recente, para acelerar a recuperação. Quão eficaz foi esta terceira fase?

Stefan Grobe:

A FED vai dizer que foi eficaz, que o desemprego que estava acima dos 8% está abaixo dos 6%, que a economia cresceu, ainda que de forma modesta, que as contratações aumentaram, exponencialmente, e que ajudou a reduzir as taxas de juro de longo prazo.

Agora, a oposição no congresso e entre os académicos, eu diria que mesmo no seio da FED, dirão que agravou a desigualdade, existente nos Estados Unidos, que os novos postos de trabalho são mal pagos, que os salários estão estagnados e que, em geral, a economia cresceu de forma bastante irregular. Por isso, o que vemos é que a classe média continua a sofrer, enquanto os acionistas continuam a enriquecer.

Euronews:

Nos últimos seis anos o banco central tem vindo a injetar dinheiro na economia dos Estados Unidos da América. Agora que o programa de compra de títulos terminou, está a economia, suficientemente forte, para, sem esse estímulo, crescer por conta própria?

Stefan Grobe:

Essa é a questão que todos se perguntam. A terceira ronda de estímulos levou o balanço da FED a níveis sem precedentes. O dinheiro que a FED fabricou para comprar obrigações, mais de 3 bilhões de dólares, poderia alimentar, em excesso, a inflação quando houvesse, de facto crescimento. Ou poderia criar uma bolha de ativos que causasse instabilidade financeira e, potencialmente, uma nova crise. Correr-se-ia o risco de um retrocesso grave que poderia ser desencadeado por quase qualquer coisa.

Euronews:

Todas as decisões da FED são acompanhadas fora dos Estados Unidos, mas esta tem uma importância particular. Como poderá influenciar a Europa e os mercados emergentes?

Stefan Grobe:

Se a economia dos EUA engrenar, isso deve dar à Europa e aos mercados emergentes um grande impulso, mas há outros elementos importantes: o que vai acontecer com o dólar, com o preço do petróleo, e, em última instância, como é que as coisas se vão desenvolver no seio da zona euro.