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Taxa sobre a internet mantém revolta popular na Hungria

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Taxa sobre a internet mantém revolta popular na Hungria

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Em Budapeste, milhares de húngaros voltaram a gritar bem alto, esta terça-feira, contra a anunciada taxa de utilização da internet, proposta pelo governo. Prevê-se que o novo imposto seja colocado a votação no Parlamento a 18 de novembro, mas os manifestantes – apoiados pela própria Comissão Europeia – não calam a revolta e acusam o executivo liderado pelo primeiro-ministro Viktor Orban de querer fazer a Hungria regredir no acesso livre à informação.

“A taxa prevista sobre a utilização da internet coloca em risco a abrangente difusão da própria internet e também o livre acesso à informação”, defendeu o “web developer” (criativo da internet) Zsolt Várady, um dos promotores das duas manifestações pró-internet realizadas esta semana em Budapeste.

A taxa proposta pelo governo prevê o pagamento de cerca de 0,50 euros por cada “gigabyte” de tráfego “online”, num máximo de 2,2 euros mensais para utilizadores particulares e de 16 euros para empresas. O executivo de Viktor Orban domina dois terços do parlamento húngaro e, como tal, não deverá ter grande oposição à aprovação do pacote de novas medidas, nas quais se inclui esta taxa sobre a internet.

“Timelapse” de parte do percurso dos manifestantes

Nas ruas, alguns manifestantes, mais do que revoltados pela taxa sobre internet, mostram-se saturados do executivo de Viktor Orban. “De facto, o governo tomou uma série de decisões que deixaram as pessoas muito zangadas”, acusou um húngaro, questionado pela euronews. Confrontado se era apenas a taxa sobre a internet a provocar essa zanga, este manifestante reforçou: “Não. Toda a atividade deste governo é revoltante, essa é que é a verdade.”

Uma húngara, admitindo poder ser algo “ingénua pensar assim”, defendeu que “isto vai ter consequências”. “Se for preciso vou voltar. Não vamos parar de protestar”, prometeu.

Comissaria europeia apoia protestos
Um porta-voz da comissão Europeia revelou que “a comissária europeia da Agenda Digital, Neelie Kroes, vai continuar a apoiar os protestos pacíficos contra a taxa de internet na Hungria” e que a responsavel “acredita que avançar com esta taxa é seguir na direção errada”. “Não só porque afeta os utilizadores, mas porque a Hungria está abaixo da média de desenvolvimento digital e avançar com isto não vai ajudar a impulsionar a economia do país”, explicou.

“Os promotores destes protestos em Budapeste não marcaram novas manifestações para os próximos dias. Mas quando esta taxa sobre a internet seguir para votação no parlamento, a meio de novembro, é de esperar as pessoas voltem a fazer-se ouvir nas ruas”, antevê Andrea Hajagos, a correspondente da euronews na Hungria