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Celebrados na Turquia, "peshmergas" aproximam-se da batalha de Kobani

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Celebrados na Turquia, "peshmergas" aproximam-se da batalha de Kobani

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Prossegue a festa pela região conhecida como Curdistão turco, por onde, desde terça-feira, combatentes curdos, os já populares “peshmerga”, oriundos do Iraque estão a passar rumo ao norte da Síria. Este contingente armado vai reforçar a luta dos resistentes curdos contra a ofensiva dos fundamentalistas do Estado Islâmico para conquistar a cidade de Kobani, na região autónoma curda no norte da Síria.


A já chamada “batalha de Kobani” começou a 16 de setembro e dura há mais de 40 dias, com um balanço de mais de 800 mortos e 200 mil pessoas em fuga. Os “jihadistas” do ISIL – sigla inglesa pela qual é também conhecido internacionalmente o grupo radical sunita – conquistaram pelas armas, pelo sangue e pelo terror uma boa parte de territórios na Síria e no Iraque para fundarem um novo califado islâmico, onde quem não segue a mesma doutrina religiosa é morto. Xiitas muçulmanos, cristãos e grupos étnicos como os curdos têm sido massacrados.

Com a ofensiva sobre Kobani, os radicais do Estado Islâmico ameaçaram massacrar também todos os que resistirem à tomada de controlo desta cidade no norte da Síria. O que despertou um sentido de solidariedade entre toda a comunidade curda, da Turquia ao Iraque. O governo de Ancara que mantém um histórico atrito político com grupos independentistas curdos recusou-se, de início, a permitir a passagem pela Turquia de “peshmergas” iraquianos. Pressionado pelos Estados Unidos, que lideram uma força de aliados contra o Estado Islâmico, o executivo de Tayyp Erdogan acedeu na semana passada a dar essa autorização, mas recusou a participação de forças turcas neste apoio terrestre à resistência de Kobani.

A passagem dos “Peshmerga” pelo sul da Turquia está a ser, por isso, muito celebrada pelos habitantes desta parte turca da zona que delimita o que se entende por Curdistão. Mas também os refugiados oriundos do norte da Síria têm participado na festa em que se tornou a passagem do contingente militar curdo-iraquiano, a grande parte oriundo de Erbil, a capital da região autónoma do Curdistão Iraquiano.


Parte deste contingente chegou ao sul de Turquia de avião. Cerca de 150 homens aterraram terça-feira no aeroporto de Saliunrfa e seguiram viagem rumo a Kobani numa comitiva de camiões escoltada por alguns veículos militares turcos. Outra parte deixou Erbil por terra, num comboio de veículos militares que, para além de homens, transporta também armamento pessoal e peças de artilharia.


O ponto de encontro dos dois grupos de “peshmergas” é a cidade turca de Suruç, próxima da fronteira com a Síria. Daqui, o contingente militar curdo-iraquiano tem mais 16 quilómetros pela frente até Kobani, a capital do cantão curdo-sírio com o mesmo nome. Parte deste derradeiro percurso é efetuado já em território considerado hostil pela eventual presença de milícias afetas aos “jihadistas.”

Na noite de terça-feira, através do sul da Turquia, já haviam entrado na Síria tropas do apelidado Exército Sírio Livre, que têm vindo a combater as forças do presidente sírio Bashar al-Assad e que vão igualmente ajudar os curdos a combater os extremistas.


Na região de Kobani, entretanto, as forças aliadas lideradas pelos Estados Unidos prosseguem os bombardeamentos de pontos estratégicos dos radicais islâmicos, que mantêm um cerco à cidade. De acordo com um comunicado do centro de comando norte-americano para o Médio Oriente e Ásia Central (CENTCOM), aviões de caça e bombardeiros norte-americanos realizaram pelo menos oito ataques junto a Kobani nas últimas 24 horas, destruíram cinco posições do ISIL, uma “pequena unidade” de combatentes, seis veículos e um edifício.

O porta-voz do Despartamento de Defesa norte-americano revelou que a participação dos Estados Unidos na ofensiva aliada contra o grupo Estado Islâmico custa a Washington mais de oito milhões de dólares por dia (cerca de 6,5 milhões de euros).