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Desafios diplomáticos evidenciam novo papel do Irão na arena internacional


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Desafios diplomáticos evidenciam novo papel do Irão na arena internacional

O Irão considera a luta contra o autoproclamado grupo Estado Islâmico uma prioridade.

O grupo controla parte do território vizinho do Iraque, incluindo zonas próximas da fronteira entre os dois países. Teerão mostra-se por isso empenhado em apoiar Bagdade no combate ao grupo, à margem da coligação liderada pelos Estados Unidos.

Na verdade, apesar de alguns gestos de abertura com Washington, como no caso do acordo comercial com a Boeing, as desavenças entre o Irão e os Estados Unidos persistem.

Além disso, aproxima-se a data de 24 de novembro, altura em que se deve dar um acordo definitivo sobre o programa nuclear iraniano.

Teerão também se quer posicionar como possível parceiro energético da Europa face ao distanciamento da Rússia.

Para conhecer a posição do Irão nesta matéria falámos com Alaeddin Boroujerdi, presidente da comissão de Segurança Nacional e de Política Externa do Parlamento iraniano.

Omid Lahabi, Euronews: O autoproclamado grupo Estado Islâmico é um inimigo comum do Irão e dos Estados Unidos. Julga que será possível uma cooperação entre os países para deter este grupo?

Alaeddin Boroujerdi, presidente da comissão de Segurança Nacional e de Política Externa do Parlamento iraniano: “Infelizmente os Estados Unidos e os parceiros europeus e regionais tiveram um papel na criação deste grupo terrorista. Nós começámos a batalha praticamente desde os primeiros dias. Os americanos, que observavam esta situação catastrófica, não reagiram senão depois do assassinato de dois jornalistas pelo grupo. Decidiram entrar em combate sob pressão da opinião pública norte-americana. Por isso, não podemos confiar na coligação, porque existem países que criaram eles próprios este grupo, mas ao mesmo tempo querem lutar contra ele. Tendo em conta esta contradição e a falta de confiança, avançamos sozinhos e os americanos, por outro lado, avançam no quadro da coligação.”

Omid Lahabi, Euronews: Falemos da relação entre o Irão e Estados Unidos. Volvidos 35 anos, a Boeing vendeu peças ao Irão. Simboliza uma flexibilização das sanções ou uma evolução na relação entre os dois países?

Alaeddin Boroujerdi, presidente da comissão de Segurança Nacional e de Política Externa do Parlamento iraniano: “O acordo de Genebra e, em particular, as negociações com os Estados Unidos tiveram um efeito sobre a atmosfera política entre o Irão e os Estados Unidos, entre o Irão e o Ocidente em geral e também dentro da região.
Infelizmente existem países dentro da região e na Europa que pressionam os Estados Unidos e que não estão contentes com um acordo e que se levantem as sanções.
A razão da nossa transação com a Boeing e a venda de peças deve-se a estas negociações. Veremos o que acontecerá a 24 de novembro, data limite para concluir um acordo definitivo sobre o programa nuclear iraniano.”

Omid Lahabi, Euronews: A relação entre a Europa e a Rússia é tensa por causa da crise na Ucrânia e os europeus estão agora preocupados com o aprovisionamento energético. O Irão poderia substituir a Rússia e exportar gás para a Europa?

Alaeddin Boroujerdi, presidente da comissão de Segurança Nacional e de Política Externa do Parlamento iraniano: “A possibilidade de virmos a abastecer a Europa com gás está há muito tempo em cima da mesa. Até ao momento foram os americanos que se opuseram. A discussão sobre o prolongamento para a Europa do gasoduto que liga o Irão à Turquia estava numa fase séria mas os Estados Unidos pressionaram para que não acontecesse. Atualmente, julgo que as diretrizes da política norte-americana continuam a ser as mesmas.”

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