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Alemanha: Os contrastes económicos 25 anos depois da queda do Muro de Berlim

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Alemanha: Os contrastes económicos 25 anos depois da queda do Muro de Berlim

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Um quarto de século depois da queda do Muro de Berlim, multiplicam-se os habitantes da capital alemã a querer mudar-se de armas e bagagens para a cidade vizinha de Potsdam. Rodeada de florestas e lagos, é cada vez mais procurada por políticos e celebridades que aqui adquirem imóveis. Os peritos esperam a chegada de mais 20 mil habitantes ao longo dos próximos 15 anos.

“Nos últimos 25 anos Potsdam transformou-se por completo. Renasceu das cinzas e transformou-se numa verdadeira jóia. Os apartamentos em zonas nobres vendem-se agora a partir dos 5 mil euros o metro quadrado. À volta de Potsdam os preços caem a pique”, explica Carsten Hopf, agente imobiliário.

As cidades de Berlim e Potsdam estão rodeadas pelo Estado de Brandemburgo, do tamanho da Bélgica e com apenas 2,5 milhões de habitantes. À semelhança do que aconteceu com outras regiões da antiga Alemanha do Leste, 40 anos de planeamento central acabaram por debilitar estruturalmente esta zona.

Na época da reunificação, as diferenças entre parte ocidental e oriental eram gritantes. Por isso, o Governo iniciou um processo de transferência de fundos para relançar o desenvolvimento da Alemanha do Leste.

Andrea Büring, Euronews: “O chanceler Helmut Kohl prometeu ao leste um novo período mais auspicioso com a reunificação. Desde então as autoridades, as empresas e os investidores privados trouxeram 1600 milhões de euros para os antigos estados da RDA. Em muitos casos com sucesso gerando um crescimento significativo. No entanto, isso não se verificou em Brandemburgo, um lugar que continua a ser marcado por contrastes.”

Desde a reunificação, a parte oriental ganhou muito terreno à parte ocidental a nível económico. Ainda assim, as diferenças persistem e ultimamente o ritmo de melhoria tem vindo a abrandar.

O rendimento económico está a um nível de 70%, comparado com a parte ocidental. Apesar do desemprego ter caído significativamente no leste ao longo da última décadas, nas zonas rurais continuam os problemas.

Templin, em Brandemburgo, é um exemplo. Encontra-se na região de Ückermark, que tem a taxa de desemprego mais alta da Alemanha, 15%.

“O nosso problema é que muitas pessoas não têm a formação básica necessária para continuar a formar-se e iniciar uma profissão. Os que têm formação regra geral vão para fora, para Berlim ou Hamburgo. Para os negócios locais é muito difícil preencher as vagas disponíveis”, esclarece Christian Weckert, do centro de emprego de Ückermark.

Na prática verifica-se um paradoxo. Por um lado existe um nível elevado de desemprego, grande parte de longa duração. Por outro, existem vagas disponíveis, principalmente em setores relacionados com cuidados geriátricos, saúde e turismo. Faltam os trabalhadores qualificados, lamenta Müller Hagenbeck, que trabalha no setor da hotelaria e restauração: “É dramático. As pessoas vão-se embora. Recentemente vimo-nos impossibilitados de manter o nosso negócio a funcionar os sete dias da semana pela primeira vez. Agora estamos a pensar fechar durante a semana e abrir apenas às sextas-feiras, sábados e domingos, porque não temos pessoal qualificado.”

À exceção de Berlim e da cintura urbana, a Alemanha do Leste perdeu quase 14% da população. Ückermark é um exemplo. A região luta contra o êxodo dos habitantes, a falta de pessoal qualificado e a alteração demográfica. Em Templin, quase um terço da população tem mais de 60 anos.

As grandes empresas são raras em Ückemark, muito por causa da falta de infraestruturas. A exceção é Schwedt, localidade com um polígono industrial relativamente importante desde os tempos da RDA. No entanto, mesmo aqui os negócios revelam problemas. A refinaria PCK terá de substituir mais de metade da força de trabalho nos próximos 15 anos, por causa da idade de reforma de alguns trabalhadores.

“O truque é captar jovens desde cedo. Então há opções para que fiquem. Mas é cada vez mais difícil para as empresas especializadas encontrar trabalhadores. Estamos um pouco longe das grandes cidades”, explica Jos van Winsen, diretor-executivo da refinaria PCK.

Apesar de não ser fácil ir passar o dia a um grande centro urbano, a Polónia encontra-se logo ao lado. Além disso, nas imediações de Schwedt existem muitas reservas naturais e florestas.

Esses argumentos foram suficientes para convencer Sascha Nehls, de 31 anos. Depois de estudar em Cottbus e viver na Suécia, Reino Unido e Estados Unidos decidiu voltar a casa. Agora organiza um grupo de encontros para repatriados e recém-chegados a Templin:
“Foi uma mudança, especialmente quando se regressa depois de viver numa grande cidade. Esta é uma zona rural e requer algumas melhorias, mas muitas pessoas gostam da tranquilidade e das distâncias curtas. E quando se pensa em ter filhos este é o lugar ideal. Porque gostam de estar aqui.”

Um quarto de século depois da reunificação, a batalha entre a parte ocidental e a parte oriental da Alemanha este deu lugar a uma luta para conquistar a atenção de habitantes e investidores.