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Amarelo une passado e presente nas artes plásticas italianas

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Amarelo une passado e presente nas artes plásticas italianas

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“A arte italiana, no passado e no presente, está em exposição no Palácio de Belas Artes de Bruxelas até 18 de janeiro. A dupla exposição foi organizada como parte da presidência italiana da União Europeia. Por um lado, mostra a pintura gótica do século 13 na escola de Siena e, por outro, revela a arte que se faz nos dias de hoje”, explica a correspondente da euronews, Margherita Sforza.

Para fazer a ligação entre duas correntes estéticas separadas por oito séculos escolheu-se uma cor.

O embaixador da Itália para a União Europeia, Stefano Sannino, refere que “o amarelo é a cor da socialização, do estar em grupo. O amarelo remete-nos para o dourado patente nas obras da escola de Siena e, ao mesmo tempo, representa a capacidade de inovação e a criatividade dos italianos”.

“A ideia era mostrar um diálogo aberto, alegre e, ao mesmo tempo, colocar em paralelo o passado e o futuro através dos diferentes modos de interpretar o amarelo”, acrescentou.

No caso da exposição “Pinturas de Siena”, estão patentes 60 obras-primas que vão do século XIII ao século XV. Esta corrente influenciou artistas por toda a Europa, pela ênfase que colocou na exploração das emoções humanas, usando cores brilhantes e incomuns.

O diretor artístico do Palácio de Belas Artes de Bruxelas, Paul Dujardin, diz que “a arte deixou de se dedicar apenas à veneração religiosa e passou a interessar-se pela sociedade. Essa é a grande diferença da escola de Siena”.

“Essa diferença está patente na forma como se retrata a Virgem Maria, que se torna mais humana. É uma mãe. E os artistas não são apenas artesãos que trabalham por amor a Deus, mas criadores que trabalharem em prol da comunidade”, disse ainda.

Numa sala ao lado, dá-se o salto para arte contemporânea, com obras de italianos que vivem expatriados por toda a Europa e que foram reunidas sob o título “O lado amarelo da sociabilidade”.

O curador, Nicola Setari, afirma que “a tradição cultural italiana é uma tradição que sempre colocou a arte no centro da vida coletiva. Tem sido algo que fortalece os municípios italianos em sua história. Hoje, muitos dos artistas que participam nesta exposição, tais como Michelangelo Pistoletto, veem claramente a necessidade urgente de colocar a cultura no centro da sociedade”.

A obra central cabe a Pistoletto, um dos artistas italianos mais reconhecidos internacionalmente e que trouxe uma instalação com uma leitura muito política. A mesa espelhada tem a forma do mar Mediterrâneo e é um convite ao debate sobre os desafios para a região.

O artista explica que “o facto de nos podermos sentar à volta da mesa permite criar uma espécie de pequeno Parlamento internacional, já que os diferentes tipos de cadeiras provêm de diferentes países do Mediterrâneo. Podemos considerar que a arte faz uma proposta de mudança, que a arte propõe uma reunião. Elimina-se a distância, mas mantêm-se as diferenças”.