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A reviravolta do Egito no contexto económico

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A reviravolta do Egito no contexto económico

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Após um período de tempestade económica, o Egito considera a hipótese de recorrer aos mercados internacionais de obrigações para procurar liquidez no valor de 1,2 mil milhões de euros. O Kuwait é também tido como uma possível fonte de financiamento, até porque se prepara um acordo de cooperação na área do Comércio e da Indústria.

O ministro das Finanças egípcio, Hany Kadry Dimian, declara que o governo está recetivo a diferentes modalidades de financiamento, até mesmo negociar um empréstimo com o Fundo Monetário Internacional. O presidente Abdel Fatah al-Sisi implementou reformas económicas polémicas para reduzir o défice. Entre elas, a subida de impostos e o corte das ajudas no setor energético.

Outra forma de provocar um choque económico no país é a anunciada expansão do Canal do Suez, prevista para permitir a circulação de navios de maior porte e limitar o tempo de espera. A empreitada foi ajudicada a seis consórcios dos Emirados Árabes Unidos, da Holanda, da Bélgica e dos Estados Unidos. O plano é, no mínimo, ambicioso, até porque se estipulou a conclusão para agosto do próximo ano.

A Moody’s já subiu a notação do Egito de “negativo” para “estável”, alegando justamente uma maior estabilidade institucional. As melhorias no clima de confiança são notórias: nos últimos três meses, a Bolsa do Cairo registou uma subida de 12%.

Para aprofundar esta questão da recuperação egípcia, a jornalista da euronews Daleen Hassan falou com Nour Eldeen Al-Hammoury, analista da ADS Securities em Abu Dhabi.

euronews: Os títulos egípcios têm tido um bom desempenho. O que vai acontecer a longo prazo?

Nour Eldeen Al-Hammoury: A situação a longo prazo vai depender do futuro económico do Egito. Assistimos a inúmeras especulações depois da tomada de posse do novo presidente. Mas têm sido anunciados projetos de desenvolvimento, sobretudo o do canal do Suez. Neste momento, o índice bolsista do Egito recuperou significativamente dos 8500 pontos para os 9400. É esse o número que tem centrado as atenções porque está próximo do recorde máximo. Nós acreditamos que, a longo prazo, irão surgir mais e mais projetos no Egito e que o setor bancário vai continuar sólido (nos mercados financeiros).

euronews: Procurar financiamento nos mercados internacionais, o projeto do canal do Suez – são grandes compromissos para um país com uma economia frágil e com um défice orçamental de 10%. O Egito tem capacidade para enfrentar estes desafios?

NAH: Os desafios surgiram logo no início da revolução. No entanto, temos assistido a uma recuperação muito sólida, sobretudo depois de o governo ter implementado várias medidas de austeridade. Mesmo o projeto do canal do Suez, com toda a sua dimensão, registou um excesso de procura na Oferta Pública Inicial. Apesar do contexto atual no que toca ao crédito, e há muito tempo que o Egito recorre ao crédito, não se trata de uma situação preocupante. A região do Golfo está a injetar uma liquidez enorme no país e nos seus projetos. Daí que não haja uma inquietação a longo prazo sobre a dívida egípcia. Recentemente, vimos uma das agências de notação a alterar a perspetiva de ‘negativa’ para ‘estável’, o que é também uma boa notícia para que os investidores possam reconquistar a confiança no Egito. A longo termo, creio que o crescimento vai prosseguir gradualmente. Pode haver alguma turbulência, mas será limitada.