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“Les combattants” de Thomas Cailley: amor e apocalipse

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“Les combattants” de Thomas Cailley: amor e apocalipse

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Um dos grandes méritos de “Les Combattants” é o de propor um olhar fresco sobre a juventude. Thomas Cailley encontrou o argumento e o tom certos para contar uma geração tantas vezes resumida a chavões, como “à rasca” ou “perdida”.

Tudo começa num verão tranquilo à beira-mar. Arnaud (Kevin Azaïs) espera passar as férias em casa da mãe e ajudar o irmão no negócio familiar.

A vontade de trabalhar desaparece quando conhece Madeleine (Adèle Hanael), uma jovem atraente, um pouco “maria-rapaz”, que passa os dias a praticar desporto e a fazer exercícios militares porque antecipa uma catástrofe iminente. Arnaud não tem pressa em preparar-se para o fim do mundo mas o amor vai levá-lo a mudar de ideias e a inscrever-se num campo de treino do exército.

Além da originalidade do argumento, Thomas Cailley consegue criar um universo misterioso e inquietante ao misturar uma estética realista com elementos da ficção científica.

O desempenho dos atores, Adèle Hanael e Kevin Azaïs, é outro dos pontos fortes da primeira longa-metragem do realizador francês.

A atriz já tinha dado que falar pelo seu desempenho em “Naissance des pieuvres ». O primeiro filme de Céline Sciamma valeu-lhe uma nomeação para os César, os prémios do cinema francês, na categoria “Meilleure espoir”. Kevin Azaïs tem um percurso curioso. O jovem ator fez uma formação de canalizador ao mesmo tempo que rodava “La journée de la jupe” (2006) onde contracena com Isabel Adjani.

“Les combattants” foi apresentado na Quinzena dos Realizadores, no Festival de Cinema de Cannes, e na Festa do Cinema Francês (2014), em Portugal.