Última hora

Última hora

Rota do Rum: A caminho de Guadalupe o difícil é dormir

Em leitura:

Rota do Rum: A caminho de Guadalupe o difícil é dormir

Tamanho do texto Aa Aa

A caminho do sexto dia de prova, a Rota do Rum mantém-se na rota com destino a Pointe-à-Pitre, a maior cidade do departamento ultramarino francês de Guadalupe, nas Caraíbas, onde os primeiros veleiros deverão chegar este fim de semana. Com o francês Loïck Peyron, “skipper” do “Banque Populaire VII”, a liderar, Ricardo Diniz, o primeiro velejador português a entrar nesta difícil regata transatlântica, ocupa a 14.a posição na classe “Rum” e tem vindo a atualizar a prestação pelo Facebook (ver vídeo em baixo).

Uma das maiores dificuldades que se colocam aos concorrentes desta prova solitária é o descanso. Sozinhos no barco, em pleno mar aberto, conseguir dormir torna-se uma arte. Rémi Pelletier leva-nos, desta feita, até junto da réplica de um veleiro dos corsários datado de 1745, “A Estrela do Rei”, um barco de 36 metros de comprimento e três mastros de 35 metros de altura, tudo com uma volumetria de 800 metros quadrados.

“À época, os piratas conseguiam dormir, aqui, a navegar. Mas como será na solitária Rota do Rum? A arte de dormir quando se navega sozinho no mar é o que vamos descobrir”, lança Rémi Pelletier, antes de ir ao encontro do atual da Rota do Rum para descobrir quais as dificuldades que há para dormir em pleno Atlântico.

“Imagine-se dentro de um helicóptero. Sozinho. Mas não o está a pilotar. Vai na parte de trás, junto ao motor. E aí, há muito barulho. Junto à turbina, com barco em automático, tentamos dormir. É esta a sensação de um solitário quando tenta dormir dentro de um trimarã a navegar a alta velocidade”, explicou Loïck Peyron.


O médico oficial da Rota do Rum acrescenta que “dentro de um barco o ruído pode chegar, por vezes, aos 120 decibéis”. “É demasiado. Há acelerações e desacelerações enormes. Apesar disso, os navegadores devem ser capazes de se desligar e esquecer o barco, esquecer a corrida e forçar-se a dormir. E essa, na verdade, é a arte dos dorminhocos de alto nível”, defende Jean-Yves Chauve.

Vincent Riou, “skipper” do PRB, que, entretanto, já abandonou a prova deste ano, tinha um pequeno truque para descansar. “Tenho comigo uma pequena almofada que me permite passar pelas brasas de vez em quando mesmo no exterior do barco. Com isso ganho uma melhor qualidade de sono. Quando as condições do mar são boas, vou para dentro e posso deitar-me no beliche”, explicou-nos.

Com a classe “Ultime” já no derradeiro terço da rota para Guadalupe, ao início da noite desta quinta-feira aproximavam-se da ilha da Madeira as primeiras embarcações da classe “Rum”. Ricardo Diniz, ainda ao largo da Corunha, optou por procurar refúgio face ao mau tempo, num dia marcado pelo resgate por via aérea de um dos concorrentes do português, os “skippers” francese Bob Escoffier e Pierre Antoine tiveram de ser resgatados pela marinha espanhola. O primeiro viria mesmo a ficar sem o barco e, do segundo, veja em baixo o vídeo do resgate.



Os primeiros das classes “Imoca” e “Multi 50” optaram, entretanto, por uma rota intermédia entre a Madeira e os Açores e mantém o rumo a Pointe-à-Pitre. Na frente, Peyron perdeu alguma vantagem para Yann Guichard, “skipper” do “Spindrift2”, mas mantém a liderança segura.