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Azerbaijão organiza conferência sobre artes teatrais

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Azerbaijão organiza conferência sobre artes teatrais

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Para promover a cultura do país, o Azerbaijão convidou 40 países para uma conferência sobre as artes teatrais.

A lista de convidados incluiu o realizador e encenador polaco Krzyszof Zanussi.

Zanussi começou a carreira durante o regime comunista, um período em que as artes assumiram uma forte relevância social e política.

Nas últimas décadas a televisão e a Internet roubaram espetadores ao teatro mas para o encenador polaco, o palco continua a ser um espaço único.

“No mundo real, o espaço é cada vez mais exíguo e estamos cada vez mais dependentes do mundo virtual. E no mundo virtual a noção de tempo é diferente. Mas o aqui e o agora só acontece no teatro” sublinhou o encenador polaco.

Além das palestras, o evento propôs uma série de produções teatrais do Azerbaijão.

“Shah Gajar “ com encenação deAzer Pasha Nematov foi um dos destaques da programação.

“O primeiro desafio para o teatro é encontrar uma linguagem comum com o público. Nós mostramos as nossas peças na Internet mas quando uma pessoa nos olha nos olhos em palco trata-se de um momento precioso”, disse Mikhail Safronov, diretor do Teatro de Comédia Musical de Sverdlovsk.

A questão dos valores foi um dos temas debatidos na conferência.

Yvette Hardie, Presidente da Associação Internacional dos Teatros para crianças e jovens considera que é importante promover a abertura ao outro.

“Penso que existem atualmente tendências preocupantes no mundo. Estamos a assistir a uma viragem à direita na forma de pensar, há muita xenofobia. Por isso é importante que as crianças e jovens sejam expostos a uma grande variedade de culturas e experiências que fazem parte do mundo”, disse a responsável.

“Leyli and Macnun” é a versão azerbaijanesa de “Romeu e Julieta” e é uma das peças mais populares do teatro azerbaijanês.

Mas além dos grandes clássicos será que há espaço no Azerbaijão para o teatro independente?

Para o crítico de teatro Aydin Talibzada a resposta é não:

“O teatro independente não consegue financiar-se porque as pessoas não se interessam por esse tipo de teatro, as companhias não conseguem sobreviver e fecham”.

Uma opinião partilhada por Krzyszof Zanussi:

“Tudo depende do poder. O estado dá dinheiro e subsidia o teatro de que gosta e os teatros têm de estar em sintonia com as políticas do governo”.

Para os dramaturgos, o grande desafio é encontrar histórias novas e retratar realidades que nem sempre são fáceis de abordar.

“Todas as histórias já foram contadas, como sabemos. Mas eu procuro histórias no interior das comunidades e escrevo a partir daí. Vou ter com as pessoas, falo com elas e depois transformo esses elementos em ficção. Tento encontrar temas sobre os quais as pessoas não querem falar”, contou a dramaturga Veera Marjamaa.

Em tempos de crise financeira, a sobrevivência das artes do palco foi outro dos temas em debate.

“A conferência é interessante porque podemos encorajar-nos uns aos outros e encontrar ideias sobre o futuro do teatro no século XXI ou XXII”, sublinhou o alemão, Peter P. Pachl.

A conferência internacional de Teatro do Azerbaijão desenrolou-se na capital, em Bacu, ao longo de dois dias.