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México: Polícia detém e liberta 15 pessoas após ataque ao Palácio Nacional

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México: Polícia detém e liberta 15 pessoas após ataque ao Palácio Nacional

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Pelo menos 15 pessoas acabaram detidas e interrogadas pela Polícia Federal do México na sequência do ataque de sábado à noite ao Palácio Nacional, no Distrito Federal mexicano. O ataque ao edifício habitualmente usado pelo Presidente Enrique Peña Nieto foi culminar da massiva manifestação com mais de 3 mil pessoas que protestaram pela apatia do governo e da justiça face ao desaparecimento de 43 estudantes no final de setembro no Estado mexicano de Guerrero.


Após terem sido ouvidos na Subprocuradoria Especializada na Investigação da Deliquência Organizada, que funciona sob a Procuradoria-Geral da República (PGR), os detidos foram libertados. Alguns após pagar fiança, acusados de participação em motim e danos a monumentos históricos – crimes considerados não graves.

A manifestação em prol do regresso dos estudantes tem crescido em apoio popular e, para além da justiça, o Presidente também é visado. A demissão de Enrique Peña Nieto é exigida. Luis Manuel Sanchez Navarro, um dos manifestantes, defendeu que, “a todos os níveis”, a justiça está de rastos”. “Temos um péssimo governo. Eu espero que não aconteça, mas o que eles estão a provocar é que o povo se enfureça e que se passe algo de grave”, alertou.


O ataque ao Palácio Nacional do presidente do México foi o culminar da massiva manifestação e foi levado a cabo por um grupo limitado de pessoas com a cara tapada. Os agressores não conseguiram entrar no edifício, mas foi ateado fogo a uma das portas e as paredes foram pintadas.


Os estudantes desapareceram na noite de 26 de setembro, após terem sido alvo de alegados ataques da polícia local e de membros do cartel “Guerros Unidos” à escola de Ayotzinapa, no Estado de Guerrero. Os manifestantes continuam a reclamar o regresso dos estudantes com vida, mas os receios de que já estejam mortos cresce.

Na sexta-feira, o Procurado Geral Jesús Murillo citou a alegada confissão de três membros dos “Guerreros Unidos”, que foram detidos, de que os estudantes entregues ao “cartel” pela polícia municipal de Iguala e Cocula já haviam sido “executados”.


Com o país em polvorosa, Enrique Peña Nieto não se coibiu de manter a agenda oficial. Acompanhado pela esposa, Angélica Rivera, o Presidente do México chegou esta quarta-feira a Pequim, para participar Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico e reunir-se à margem dessa cimeira com o chefe de Governo chinês, Xi Jinping. O objetivo de Nieto é reforçar o papel do México como um dos mais importantes parceiros comerciais da segunda maior economia do Mundo.


Ainda assim, numa escala em Anchorage, Alasca, desta viagem de quase 24 horas, Peña Nieto acedeu a falar para condenar os atos de violência de sábado à noite contra o Palácio Nacional. “É inaceitável que alguém pretenda utilizar esta tragédia para justificar os seus atos de violência. Não se pode exigir justiça atuando com violência”, afirmou.

Depois da China, Peña Nieto tem ainda prevista uma visita oficial à Austrália para participar, em Brisbane, numa reunião do G20.

À Cidade do México continuam, por fim, a chegar grupos de pessoas oriundos de para se juntar aos protestos contra a atuação do Governo e pelo eventual regresso dos estudantes ainda vivos. O apelidado “Movimento 43×43”, nascido na região de Iguala, está a crescer e esta segunda-feira exigiu também o afastamento do Procurador-Geral Jesús Murillo, acusando-o de incompetência na gestão do caso. A caravana deste movimento deixou Iguala a 3 de novembro, percorreu 195 quilómetros e no sábado já participou na masiva manifestaço, que terminou com o ataque de alguns dos manifestantes ao palácio as autoridades desconfiam que o ataque foi conduzido por grupos radicais que se infiltraram na manifestação.