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I Guerra Mundial: Anel da Memória inaugurado pelo presidente francês em Nord-Pas-de-Calais

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I Guerra Mundial: Anel da Memória inaugurado pelo presidente francês em Nord-Pas-de-Calais

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François Hollande inaugurou, neste 11 de novembro, o Anel da Memória de Nossa Senhora do Loreto, em homenagem a todos os que morreram Nord-Pas-de-Calais, durante a I Guerra Mundial.
O presidente francês fez o percurso pelas 500 placas de aço, onde estão gravados os nomes dos 580 mil soldados mortos, por ordem alfabética, independentemente da nacionalidade, origem ou religião.

Parou por três vezes, em que três estudantes apontaram o nome de um soldado, para trazer à luz do dia um pouco da história trágica dos seus últimos dias de vida.

“Tenho conseguido escapar até agora, espero continuar até ao fim da guerra”, escreveu o francês Marcel Garrigue em junho de 1915. Mas ele não viu esse fim que esperava tanto.

O poeta britânico Wilfred Ernest Owen participou na ofensiva que conduziria os Aliados à vitória final. É considerado um dos grandes poetas da Grande Guerra. Morreu uns dias antes do Armistício, a 4 de novembro de 1918. Mas, antes, escreveu:

“Será que os sinos vão dobrar
para aqueles que morrem como gado?
Apenas a raiva monstruosa das armas
as rajadas rápidas dos fusis
podem assinalar uma breve oração.”

Um estudante alemão apresentou Karl Schrag: “Morreu no princípio da ofensiva, quando a artilharia foi mais utilizada, sem dúvida vítima da explosão de uma granada de obus. Faltam muitas pistas e documentos, frequentemente, no caso dos alemães. Uma grande parte dos arquivos da Grande Guerra foram destruidos na II Guerra Mundial, só o trabalho paciente e curioso do historiador permite a aproximação ao destino de milhões de anónimos.”

“A paz é sempre frágil, pode vacilar de um momento para o outro”, lembrou Holllande, que citou os conflitos atuais na Ucrânia, na Síria e no Iraque.

François Hollande salientou ainda: “Cada vez que ressurge o nacionalismo, cada vez que as ideologias do ódio vêm à superfície, cada vez que os separatismos se exacerbam, devemos lembrarmo-nos da engrenagem infernal do verão de 1914 e até onde ela conduziu a humanidade. A memória não é feita para o passado, é feita para o presente e o futuro.”

“François Hollande lembrou, no discurso, a dimensão internacional do conflito, neste anel com o nome de 580 mil soldados, entre os quais 241 mil britânicos, que pagaram o mais pesado tributo nestas terras”, explicou Laurence Alexandrowicz, a enviada da euronews no local.