Última hora

Em leitura:

Primeira Grande Guerra: Neuville St. Vaast quer ser símbolo da reconciliação


Alemanha

Primeira Grande Guerra: Neuville St. Vaast quer ser símbolo da reconciliação

Não muito longe do maior cemitério militar francês de todo o mundo, o Notre Damme de Lorette, situa-se o maior cemitério alemão em França. Na aldeia de Neuville St. Vaast, no norte de Pas-de-Calais, foram sepultados quase 45 mil soldados alemães mortos nas batalhas registadas nesta região, incluindo 130 judeus alemães, que neste primeiro grande conflito global integraram, curiosamente, as forças germânicas. Alguns destes soldados foram colocados na mesma sepultura em grupos de quatro.


A estética do cemitério, sendo das forças na altura invasoras, é discreta e até algo pobre. Até ao início da década de 60, as cruzes que demarcam as sepulturas eram de madeira. Depois, com a passagem da administração destes cemitérios germânicos em solo francês do Estado gaulês para uma empresa privada alemã (PDF), as cruzes passaram a ser de alumínio. Na década de 70, surgiram também algumas pedras tumulares com escritos em hebreu, produzidas com o apoio de Israel.


Antigo delegado regional dos Serviços dos Cemitérios de Guerra Alemães (”==Volksbund Deutsche Kriegsgräberfürsorge==”) em França e ainda colaborador da empresa, Horst Howe, lembra que na altura, “depois da guerra”, a França prometeu ajudar a Alemanha “a recolher os mortos”. “A Alemanha não estava preparada, por isso a França predispôs-se a faze-lo por nós”, explicou.


Com a passagem da guerra e as várias ofensivas dos aliados contra os alemães, em batalhas que receberam o nome de Artois (Artésia, em português), Neuville Saint Vast foi quase totalmente destruída. A reconstrução terminou por volta de 1930. Alguns anos depois, após ter defendido a bandeira francesa em várias guerras, nomeadamente em África, Donald Browarski, filho de um ucraniano que havia emigrado para a França em 1923, chegou a presidente da câmara local. Apaixonado pelas histórias da guerra, Browarski criou na própria casa, em 1962, um museu dedicado à passagem da guerra por Neuville Saint Vaast.


Entre uniformes, armas e mapas, no museu encontramos também algumas cartas. Como a de “um capitão alemão”. “Ele escreveu a dizer que tinham os nossos feridos e estavam a cuidar deles. Os mortos, podíamos ir busca-los para que lhes pudéssemos fazer os funerais”, contou Browarski, sublinhando um episódio que denota a aproximação entre franceses e alemães após o Armistício de 1918.

A enviada especial da *euronews” a Neuville St. Vaast explica-nos que, “apesar dos horrores vividos, a aldeia de Neuville Saint Vaast quer ser um símbolo da reconciliação”. “Por isso, foi agora colocada a primeira coroa de flores no cemitério alemão, o que não acontecia desde 1960”, conclui Laurence Alexandrowicz.


Há pontos de vista diferentes para cada história: a Euronews conta com jornalistas do mundo inteiro para oferecer uma perspetiva local num contexto global. Conheça a atualidade tal como as outras línguas do nosso canal a apresentam.

tradução automática

tradução automática

tradução automática

Artigo seguinte

mundo

Rosetta acompanha o grande salto do robô Philae para o cometa 67PChuryumov-Gerasimenko