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Missão Rosetta: Sucesso na separação e início da descida do Philae para o cometa 67P

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Missão Rosetta: Sucesso na separação e início da descida do Philae para o cometa 67P

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O módulo espacial do robô Philae separou-se com sucesso da sonda Rosetta e iniciou a viagem descendente rumo à superfície do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Depois de 10 anos e sete meses a viajar acoplado à sonda Rosetta, o Philae separou-se e assumiu a própria missão para que foi criado cerca das 8h45 desta quarta-feira (hora de Lisboa). Meia hora depois, o Centro de Controlo da Missão Rosetta para a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla inglesa), em Darmstadt, na Alemanha, recebeu a mensagem de confirmação do êxito da operação emitida pela Rosetta.


O “delay” (atraso) entre a emissão e a recepção na Terra do sinal de rádio da sonda Rosetta deve-se aos mais de 500 milhões de quilómetros que a separam, neste momento, do nosso planeta. Essa distância leva a que os sinais de rádio emitidos demorem 28 minutos e 20 segundos a chegar. O Philae, entretanto, também está a ser monitorizado por um sistema chamado CONSERT, que vai informado o respetivo Centro de Controlo da altitude e velocidade da descida, a qual se prolonga por pouco mais de 20 quilómetros, a uma velocidade estimada de 3,5 km/hora, o que significa cerca de 7 horas até à aterragem no 67P, prevista para cerca das 16 horas em Portugal.

A “acometagem” será garantida por um sistema de ganchos no trem de aterragem que vão “agarrar” o Philae à superfície do cometa, impedindo-o de ressaltar para o espaço após o primeiro embate no solo – de notar que os 100 quilos de peso do Philae equivalem a uma simples grama na baixa gravidade do cometa 67P.


A missão do Philea na superfície do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko tem por objetivo estudar a composição do cometa, perceber o seu comportamento na rota que mantém rumo ao sol e a expetactiva é encontrar nele, por exemplo, água no estado sólido. A temperatura estimada na superfície do planeta é de 70 graus celsius negativos e isso deverá ter contribuído para que o cometa preserve na ´gua congelada alguns sinais que nos ajudem a aprofundar o conhecimento sobre a formação dos sistema solar, a própria origem de vida na Terra e, quem sabe, a existência de organismos vivos para lá do nosso planeta.


Envolvido no projeto Rosetta, Matt Taylor espera desta “viagem até ao cometa, é entender como funcionam os cometas em geral”. “Esse é objetivo fundamental desta missão. Seguir o cometa, ele passa no periélio, no próximo ano, à medida que se aproxima do Sol e depois regressa. Vamos observar as mudanças no cometa e as mudanças na sua atividade”, explicou Matt Taylor, cientista conhecido por ter tatuado na coxa uma imagem que integra a Rosetta e o Philae pousado no cometa.

Presente em Darmstadt, a testemunhar este acontecimento histórico que representa mais um grande passo para a Humanidade na conquista do espaço, está o enviado especial da euronews, Claudio Rosmino: “Depois de 10 anos juntos, a Rosetta e o Philae separam-se. Para o pequeno robô de pesquisa, este é um salto para o desconhecido que nos vai ajudar a entender melhor a origem do Universo.”