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Hungria pressiona multinacionais de venda a retalho

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Hungria pressiona multinacionais de venda a retalho

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Dificuldades crescentes para as multinacionais de venda a retalho presentes na Hungria.

O governo de Viktor Orban ameaça encerrar os retalhistas cujas vendas anuais superem o equivalente a 164 milhões de euros, mas que apresentem prejuízos durante dois anos.

O projeto-lei foi entregue ao parlamento, mas é duramente criticado pela Associação Comercial húngara.

Na Hungria, o setor das vendas a retalho é dominado por empresas estrangeiras. Por exemplo, a britânica Tesco possui a maior rede de supermercados e é o segundo maior empregador do país, com 22 mil funcionários.

O jornalista económico András Mihálovits analisa: “Parece óbvio que as redes de distribuição, detidas pelos húngaros, não são afetadas ou são pouco pelas medidas do governo. Porém, esta situação cria uma grande oportunidade de negócio para elas. É possível que algumas cadeias pensem que não querem trabalhar no mercado húngaro nestas circunstâncias, simplesmente porque não vale a pena, e decidam deixar a Hungria”.

O grupo Spar já anunciou que vai adiar investimentos no país e despedir pessoal. A francesa Auchan fala de medida discriminatória e vai rever os planos financeiros.

Os retalhistas tinham já visto aumentar o imposto para inspeções sanitárias. A Autoridade de Segurança Alimentar estima que o imposto renda entre 22 e 24 mil milhões de florins no próximo ano. Mas só uma parte servirá a financiar as inspeções. A maioria irá para os cofres do governo.

O executivo Orban pondera também encerrar as lojas aos domingos.

Sobre as consequências das medidas, uma húngara defende: “Ouvimos dizer que vai levar a muitos despedimentos, a salários baixos. É o contrário da vontade do governo, que é o aumento da população ativa, etc”. Outro acrescenta: “Os supermercados deveriam estar abertos. Porque muitas pessoas vão fazer compras aos domingos”.

As medidas estão a ser debatidas entre os dirigentes das cadeias de distribuição e o ministro da Economia. Mas o governo considera que são importantes para defender os produtores e retalhistas húngaros, depois das multinacionais terem reduzido os preços para ganhar quota de mercado.

À porta do Ministério da Economia, em Budapeste, a jornalista Andrea Hajagos conta que “os líderes das cadeias de distribuição não quiseram fazer comentários diretos e o Ministério não respondeu às perguntas. Provavelmente, porque ninguém quer perder peso negocial até ao fim das discussões”.