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EUA: Lutar contra os conflitos raciais

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EUA: Lutar contra os conflitos raciais

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Agosto de 2014, a localidade de Ferguson, no Missouri, Estados Unidos da América, revolta-se depois da morte de Michael Brown, um jovem negro, de 18 anos, baleado por um polícia. O efetivo fala em legítima defesa, testemunhas contradizem a versão alegando que o jovem estava desarmado. Os tumultos causados por esta morte duraram vários dias. Os habitantes da cidade esperaram três meses pelo veredicto.

A história dos Estados Unidos da América está manchada por conflitos raciais. A escravatura terminou em 1863 mas os negros só ganharam, de facto, o seu lugar na sociedade norte-americana em 1954, na sequência do caso Brown contra o Conselho de Educação de Topeka.

Mas é Martin Luther King que ficará, para sempre, conhecido pela sua luta pelos direitos dos negros. Em 1963 ele encabeça uma marcha que ficou para a história. Um ano mais tarde, o Presidente Johnson assina a lei que proíbe a discriminação com base em raça, cor, religião, sexo ou origem.

Uma vitória para Luther King mas os problemas estão longe de estar resolvidos. A discriminação persiste. A revolta dos negros ganha um novo impulso, em 1968, com o assassinato de Luther King. Um saldo pesado com dezenas de mortes e milhares de detenções.

A acalmia dura duas décadas: entre os anos 70 e 80. O fogo reacende-se, em 1992, com o caso Rodney King, um homem espancado pela polícia. Os ânimos voltam a exaltar-se, um ano mais tarde, depois da absolvição do polícia por um júri constituído por 10 brancos.

20 anos depois a “fachada” americana foi “repintada” mas os problemas estruturais persistem. Um Presidente negro é eleito, pela primeira vez, em 2009. Em 2012 Trayvon Martin, de 17 anos, é abatido pelo segurança do condomínio onde vivia, temporariamente. O homem acabou em liberdade e, mais uma vez, ocorreram manifestações em várias cidades dos Estados Unidos.

É nesta altura, um ano mais tarde, que Barack Obama se pronuncia sobre o caso:

“Trayvon Martin Poderia ter sido eu, há 35 anos. É importante reconhecer que a comunidade afro-americana olha para este problema tendo por base um conjunto de experiências e uma história que não se apaga. Há poucos homens afro-americanos, neste país, que não passaram pela experiência de serem seguidos enquanto faziam compras numa loja. Isso inclui-me”.

Nem a era Obama conseguiu minimizar os problemas raciais que persistem nos Estados Unidos da América onde continuam a prevalecer as desigualdades entre cinquenta Estados com identidades diferentes.