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Hüseyn Hagverdi: O escultor e a pedra

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Hüseyn Hagverdi: O escultor e a pedra

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Hüseyn Hagverdi é um dos artistas plásticos mais reconhecidos do Azerbaijão. O museu de arte moderna de Baku dedica-lhe agora uma exposição individual, centrada no último projeto, uma série de esculturas em pedra.

“Nunca deixámos a idade da pedra. A pedra faz parte da nossa vida, sobretudo em Baku e na península de Absheron. Muitos dos nossos edifícios, sobretudo edifícios antigos, são feitos da pedra local”, diz o artista.

Durante mais de dois meses, Hüseyn Hagverdi fez 45 esculturas com a pedra típica que encontramos no Azerbaijão. Usa a rebarbadora como se fosse um pincel, para fazer aquilo a que chama “escultura de ação”.

A exposição está dividida por ciclos, com nomes como o “ciclo do Requiem” ou o “ciclo do Totem”.

Çhingliz, também ele artista e velho amigo de Hüseyn Hagverdi, é o curador desta exposição: “Ele é lacónico, tanto como escultor, como como ser humano. Os totems ligam-nos ao passado. Isto fala-nos também sobre as pessoas que vivem nas megalópoles e os grandes edifícios lembram-nos os totems”.

As esculturas de Hüseyn Hagverdi podem também ser vistas como memoriais do contexto urbano de Baku. O urbanismo moderno apagou os bairros populares do centro da cidade, o cimento substituiu a pedra natural: “Quando digo que gosto de uma pedra, gosto de a cortar, de a polir. É como se estivesse a violar o material. Para quê? Para compreender. Para responder a estas questões – Quem somos? O que somos? Para que estamos aqui?”, diz o escultor.

Para Hüseyn Hagverdi, a inspiração vem da vida, do que o rodeia, do que vê todos os dias. Cresceu durante a era soviética, quando a vida era difícil para os artistas.

Hoje, os artistas no Azerbaijão têm um grande apoio do Estado. O Museu de Arte Moderna de Baku expõe sobretudo artistas do país. Aida Mahmudova é a diretora do museu: “A nossa cultura é um tópico popular entre os jovens artistas. É algo que os afeta muito, porque a globalização e o ritmo de vida rápido de hoje fizeram-nos, de certa forma, perder o sentido da identidade e isso leva-os a procurar as raízes”.

A exposição chama-se, simplesmente, “Pedra”, e pode ser vista até ao fim deste mês no Museu de Arte Moderna de Baku.