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"Europe Weekly": Juncker, Papa e Prémio Sakharov em destaque

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"Europe Weekly": Juncker, Papa e Prémio Sakharov em destaque

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Nesta edição do “Europe Weekly” recordamos o escândalo LuxLeaks, que continua a dar dores de cabeça a Jean-Claude Juncker.

O ex-primeiro-ministro do Luxemburgo foi confrontado com as consequências políticas, embora algo inofensivas, de uma moção de censura.

A visita do Papa a Estrasburgo durou exatamente 3h50, mas foi uma sensação.

Francisco discursou no Parlamento Europeu e, aparte o facto de alguns eurodeputados terem usados grinaldas com as cores do arco-íris (simbólicas da comunidade gay), não houve grandes protestos dos que se opunham à visita.

Também temos uma reportagem sobre o médico congolês Denis Mukwege, que recebeu o Prémio Sakharov 2014.

O seu trabalho no Hospital de Panzi é bem merecedor desta distinção que recompensa a liberdade de espírito, a coragem e o compromisso com os direitos humanos, neste caso, os das mulheres.

Analisamos, ainda, o anúncio por parte da Comissão Europeia de um plano para promover o investimento na União.

Vai ser criado um fundo com 16 mil milhões de euros do orçamento comunitário e cinco mil milhões do Banco Europeu de Investimento, que Bruxelas tentará multiplicar por 15.

A correspondente da euronews em Bruxelas, Audrey Tilve, entrevistou sobre este tema Philippe Lamberts, eurodeputado e co-presidente dos Verdes.

Audrey Tilve/euronews (AT/euronews): “Este plano de investimento deixa-o um pouco cético. Porquê? Não acredita que o fundo de 21 mil milhões de euros possa se multiplicado, como promete a Comissão Europeia?”

Philippe Lamberts/eurodeputado dos Verdes (PL/eurodeputado): “Há sempre maneira de fazer jogos com os números, mas esperar obter um efeito de multiplicação por 15 é extremamente ambicioso e essa questão deve ser analisada. Além disso, a lógica de base do plano passa pela ideia de os privados deixaram de investir por receio. Que é melhor jogar num casino do que apostar na economia real, porque leva muito tempo até se fazer dinheiro, até se ter bom rendimento. Como resposta diz-se que o setor público vai limitar esse risco ao aceitar ser o primeiro a assumir eventuais perdas. A lógica é que se nacionalizam as perdas e se privatizam os lucros. Ora, foi essa lógica que levou o Europa à crise em que se encontra. Não creio que seja a mais adequada para lançar um plano de investimento na União Europeia”.

AT/euronews: “Voltemos ao montante de dinheiro comunitário proposto: 21 mil milhões de euros. Tal como muitos outros, o senhor considera que é insuficiente. Parece existir a possibilidade de aumentar esse fundo através de contribuições dos próprios Estados-membros. Como motivação, a Comissão diz que essas verbas não vão contar para os défices dos países. É algo positivo, não acha?”

PL/eurodeputado: “Esses 21 mil milhões de euros não representam dinheiro fresco, logo não é investimento no estrito senso. Na verdade, é tirar a Pedro para dar a Paulo. Rouba-se um pouco da fatia para a investigação, outro da fatia para as infra-estruturas e coloca-se esse dinheiro no plano de investimento. Não é muito inteligente. Em segundo lugar: o que é que representam 21 mil milhões de euros? É um punhado do que as multinacionais deveriam pagar de impostos se fossem tributadas aos mesmo nível que as pequenas e médias empresas europeias. A minha pergunta é: não seria melhor aumentar a luta contra a fraude e evasão fiscais para mobilizar bem mais do que 21 mil milhões de euros?”.

AT/euronews: “Gostaria de saber se vê uma ligação entre este plano de investimento da Comissão – que é um importante teste – e o facto dela ser mais flexível sobre os défices e dívidas excessivas dos Estados-membros. Acaba de adiar sanções contra a França…”

PL/eurodeputado: “O que é certo é que houve cinco ou seis anos de disciplina orçamental indiscriminada, mas nem ao nível macroeconómico produziu os resultados desejados. Percebo que agora se diga que talvez seja preciso mudar um pouco o rumo. O problema é que se é flexível quando estão em causa grandes países, mas não se perdoa aos pequenos. Isto alimenta o ressentimento no seio da União Europeia porque se faz uma discriminação. Se queremos que as finanças públicas sejam sólidas, é preciso apostar na receita e para isso é urgente fazer uma reforma fiscal. É certo que a despesa pública deve ser sustentável – e há muito a fazer nessa área -, mas também temos que assegurar suficientes receitas para garantir os serviços públicos”.