Última hora

Última hora

Irão reage à decisão da OPEP

Em leitura:

Irão reage à decisão da OPEP

Tamanho do texto Aa Aa

O Irão perdeu a batalha na OPEP. Teerão não conseguiu obter uma redução da produção, para fazer subir os preços do crude e, ao mesmo tempo, as receitas nacionais.

Devido às sanções internacionais, as exportações petrolíferas iranianas passaram de 2,2 milhões barris diários, em 2011, para pouco mais de um milhão atualmente. Passou de segundo maior produtor do cartel para quarto.

Mas Teerão não quer perder mais quota de mercado, tal como os restantes membros da OPEP.

Numa entrevista à euronews, Bijan Namdar Zanganeh, ministro iraniano do Petróleo, adiantou: “A questão da ‘quota de mercado’ tem sido uma das preocupações históricas da OPEP. Nos últimos anos, a quota da OPEP no mercado mundial recuou de forma constante”.

Mantendo a produção em 30 milhões de barris por dia, a OPEP pretende atingir as receitas do petróleo de xisto nos Estados Unidos. Mas isso poderá demorar vários meses.

Mas o Irão, tal como outros países exportadores, depende das receitas do petróleo. Bijan Zaganeh adianta: “Se a produção baixar aquém de um certo nível, o impacto da OPEP será mínimo. É um fator determinante ver qual é o preço razoável para a OPEP, para que, enquanto mantemos a quota de mercado, os Estados membros possam ter receitas suficientes para gerir o país e realizar os investimentos necessários para aumentar a respetiva produção”.

O Irão perdeu o braço-de-ferro com a poderosa Arábia Saudita, o maior produtor do cartel.

Antes do encontro da OPEP, o Irão denunciou a existência de um “complot” entre Riad e Washington para baixar os preços e o facto dos sauditas terem aumentado a produção nos últimos anos.

Mas o responsável iraniano reconhece: “Cada decisão deveria ser consensual. Quando há uma discussão sobre a redução da produção, o papel da Arábia Saudita é muito importante, porque, mais uma vez, quando isso acontece, a Arábia Saudita é quem mais perde.”

Com a queda dos preços, o presidente iraniano enfrenta novos desafios. A começar pela revisão do orçamento de Estado para 2015, que foi delineado com um preço do barril nos 100 dólares. Agora terá de integrar preços entre 60 e 70 dólares.