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Corrupção: Transparência Internacional classifica Portugal no 36º lugar entre 175 países

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Corrupção: Transparência Internacional classifica Portugal no 36º lugar entre 175 países

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À primeira vista, tudo os separa; e numa observação mais profunda também. HelleThorning-Schmidt e Kim Jong Un lideram os países melhor e pior classificados no relatório da organização Transparência Internacional, divulgado esta quarta-feira.

A Dinamarca é, tal como no ano passado, o país com menos corrupção no mundo. A classificação é estabelecida anualmente, segundo um índice de perceção da corrupção no seio dos partidos políticos, da polícia, do sistema judicial e dos serviços da função pública de todos os países. A Dinamarca, Finlândia e Nova Zelândia lideram a lista dos mais honestos.

No fim da lista de 175 países, que obedece a um índice de oito pontos, está a Coreia do Norte de Kim Jong Un, lado a lado com a Somália. Mais de uma dezena de instituições internacionais, nomeadamente o Banco Mundial e o Fórum Económico Mundial, fornecem os dados para analisar e estabelecer o ranking.

Do vermelho ao amarelo, há uma “palette de nuances” dos países onde há mais corrupção – a maior parte dos países africanos e da Ásia central – e aos países com mais virtude, que são os da Europa do norte. Portugal partilha o 31.º lugar e os 63 pontos (em 100, país totalmente transparente) com o Botswana, Chipre e Porto Rico, ficando seis posições acima de Espanha. Portugal é ainda mais transparente do que a Itália e a Grécia e subiu duas posições no Índice de Percepção de Corrupção.

Se a leitura for feita entre os 28 países da União Europeia (UE) e da Europa ocidental, Portugal situa-se a meio da lista, na 17.ª posição, novamente à frente de países como Itália, Grécia, Hungria, República Checa, Polónia ou Roménia. Aqui, a liderança é partilhada pela Dinamarca, Finlândia e Suécia.

A Turquia está a sofrer os efeitos do escândalo da corrupção que afetou o governo de Recep Tayip Erdogan, no ano passado. Investigações, acusações formais a conhecidos políticos, mas também detenções de jornalistas críticos do regime, contribuiram para a deterioração da imagem do país.

A vice-presidente da Transparência Internacional, Elena Panfilova, falou connosco a partir de Moscovo.

Andrei Belkevich, Euronews (EN): – Quem são os principais vencedores e derrotados deste ano?

Elena Panfilova (EP), vice-presidente Transparência Internacional: – Claro que não existem vencedores absolutos no combate à corrupção porque não existem países que eliminam por completo a corrupção. Mas, geralmente, são os mesmos países que ocupam os lugares cimeiros e alternam-se algumas vezes. Podemos mencionar os países escandinavos e outros que se juntam a eles – Singapura, Nova Zelândia e Canadá -, podemos chamá-los de líderes.

Na parte de baixo da lista, estão os países onde a situação é má não apenas na corrupção mas também nos mecanismos de Estado e a relação entre o Estado e a sociedade. Países como esses estão no fim da lista.

EN: Quais foram os países que mais mudaram, tanto de forma positiva como negativa?

EP: Este ano a Turquia e a China pioraram consideravelmente na lista. A Rússia está a marcar passo, muitas reformas de combate à corrupção estão a acontecer mas apenas no papel. Mas não existe vontade política para usar estas leis maravilhosas, fazê-las sair dos papéis.

EN: De uma forma geral o que pode dizer sobre a situação na União Europeia? Qual é a dinâmica? E se é possível falar sobre uma média da perceção da corrupção na Europa?

EP: De uma forma geral não é má. Claro, é evidente que um bloco de países, os Estados membros mais velhos mantém os seus lugares tradicionais. Por vezes sobem e descem um pouco. Mas os novos Estados membros têm que ganhar terreno, alguns conseguem lidar melhor outros enfrentam alguns falhanços. A razão para isto é mesma: As reformas de combate à corrupção, reais e estáveis, necessitam de um considerável período de tempo.