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Crescimento do Mundo de língua francófona em debate no Senegal

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Crescimento do Mundo de língua francófona em debate no Senegal

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O francês, de acordo com o estudo "O Potencial Económico da Língua portuguesa", realizado por um a equipa do ISCTE e apresentado este ano pelo Instituto Camões, está fora do top-10 das línguas mais faladas no Mundo (o idioma de Camões é o quarto com 244 milhões, com o chinês ou mandarim a liderar com quase 850 milhões). Os países de língua oficial francesa estão, contudo, apostados no crescimento do número de falantes do idioma de Molière e esse desenvolvimento do universo francófono foi um dos principais pontos em discussão no Primeiro Fórum Económico dos Países Francófonos, realizado a 1 e 2 de dezembro em Dacar, no Senegal.


“De acordo com o mais recente relatório da Organização Internacional da Francofonia [OIF], em 2060 haverá 760 milhões falantes de francês no Mundo em vez dos atuais 220 milhões [segundo o método de cálculo da OIF da alegada "galáxia" francófona]. 85 por cento destes falantes estarão em África, um continente que se tornará, então, num centro de negócios de primeiro nível. Que estratégias deverão ser aplicadas para preparar os jovens francófonos para este futuro?”, questionou, em Dacar, o enviado especial da euronews, François Chignac.

O Presidente do Senegal defende que o mundo francófono “é uma força económica” ao representar, sublinhou Macky Sall, 16 por cento do PIB mundial; 14 por cento dos recursos naturais do planeta; e 20 por cento do comércio global. Os negócios promovidos através da língua francesa utilizada em cerca de 30 países são responsáveis por seis por cento da riqueza média de cada habitante, e por 0,2 por cento da taxa de emprego.

Existem, por isso, muitas razões para otimismo, mas também ainda algumas nuvens no horizonte do continente. O baixo nível escolar mina as perspetivas africanas de desenvolvimento. Assim como as fracas infraestruturas. Por exemplo, África tem a mesma dimensão de linhas de comboio que a Índia e, isto, apesar de ser 10 vezes maior do que aquele país do sul da Ásia.


Jean Louis Ekra garante que “não surpreende que os jovens africanos queiram saber tudo o que está a ser preparado para o futuro”. “Devemos passar, agora, a uma etapa em que todos arrisquem a tentar ser o patrão de si próprios. África está a crescer de forma muito rápida, tanto em população como em termos económicos. É importante, por isso, estimular nos jovens esse espírito empreendedor e esse não é um papel exclusivo dos governos. É também um dever de todos nós porque este é um trunfo cultural”, defendeu o diretor executivo do Afreximbank, do Egito.


O ministro congolês das Infraestruturas do Trabalho, por seu lado, sublinha que “o maior potencial de África, e de todos os países francófonos, está nos jovens”. “Mais de 60 por cento da população tem menos de 30 anos e representa um recurso valioso. Será ainda mais valioso quando tiver as apropriadas qualificações para ajudar no desenvolvimentos dos respetivos países. É isso que vai acontecer assim que lhes dermos essas infraestruturas”, perspetivou Jean Jacques Bouya.


Outra questão a melhorar é a integração bancária e financeira dos países francófonos. Poucas pessoas detêm, por exemplo, contas bancárias na África francófona. Faz falta um órgão central de supervisão bancária e um quadro normativo de segurança jurídica.

“Hoje em dia, é possível criar uma empresa no Senegal com apenas 100 mil francos africanos em vez de um milhão e este é um forte estímulo para os jovens criarem os próprios negócios”, destacou o diretor executivo da empresa senegalesa de investimento Apix. Moutaga Sy explicou que estes estímulos ao empreendedorismo integram “uma das partes das reformas em curso para ajudar os jovens a lançar-se de forma mais fácil no mundo empresarial”. “Outra, será a melhoria dos cursos de formação disponíveis e a sua máxima equiparação possível às necessidades dos investidores. Uma terceira parte, será a criação de empregos por deslocalização”, esquematizou o responsável da Apix.


Evelyne Tall, por fim, deixou o alerta de que “é necessário que todos os países contribuam”. “Precisamos também que os governos decidam os modelos de formação e orientação dos jovens de forma a conseguirmos um diálogo correto entre eles e o setor bancário. É verdade que a nossa geração permitiu-se ela própria a esperar e nunca olhar para os resultados. Mas isso já não será aceitável na próxima geração para que as nossas crianças possam alcançar a terra prometida”, desejou a responsável do Ecobank, do Senegal.