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França: Uma reforma económica polémica

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França: Uma reforma económica polémica

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Para fomentar a crescimento económico, o governo francês avança com um projeto-lei para aumentar, por exemplo, o número de “domingos laborais” no comércio.

Atualmente, as lojas podem abrir até cinco domingos por ano. O executivo quer passar para um máximo de 12 domingos nas principais zonas turísticas.

A medida é criticada pelos deputados socialistas. E não é consensual entre a população.

Uma vendedora da cidade de Nantes afirma: “Dois domingos antes do Natal, duas tardes, interessam-me. Caso contrário, todos os domingos não. Quero preservar a minha vida familiar”. Já uma jovem defende: “Sou a favor da abertura das lojas nos domingos, porque sou estudante e, quando procuramos empregos, queremos trabalhar todo o fim de semana. Se só resta o sábado, não é muito”.

Notários, advogados e membros de outras profissões jurídicas já se manifestaram contra o projeto de reforma e estão prontos a manter o braço-de-ferro. Contestam a modificação das tarifas e do acesso a certas profissões, sobretudo, para jovens licenciados.

As profissões liberais falam de uma “comercialização do direito”, enquanto o governo evoca a necessidade de mais concorrência.

De fora da reforma ficam as farmácias.

O primeiro-ministro Manuel Valls sai em defesa da reforma de Emmanuel Macron, ministro da Economia: “Todos devem aceitar mudar o que não funciona bem, o que penaliza a atividade e a criação de emprego. Mesmo se isso pode modificar os hábitos, os interesses particulares ou os corporativismos”.

A lei Macron abre também a exploração de linhas de autocarro intercidades a todo o território francês.

O texto será votado pelos deputados a 22 de janeiro.

Alguns economistas estimam que as medidas podem juntar 0,5% ao PIB francês.

O certo é que a reforma vai de encontro às recomendações da Comissão Europeia, que em março decide se aplica ou não sanções à França por não respeitar as metas de redução do défice.