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A bravura de Beethoven abriu a temporada do La Scala

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A bravura de Beethoven abriu a temporada do La Scala

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É uma ode à liberdade, ao amor, à solidariedade: “Fidelio” é a única ópera que Ludwig van Beethoven compôs. Uma obra-prima com direito a honras de abertura de temporada num dos mais prestigiados palcos do mundo: o La Scala, de Milão. O acontecimento ganha ainda mais relevo quando sabemos que é com “Fidelio” que, após nove anos, o maestro argentino Daniel Barenboim encerra o seu trabalho como diretor musical aqui.

Beethoven demorou mais de uma década a apresentar a versão final de uma estória que tem lugar durante a Revolução Francesa. “Gosto muito desta estória. É simples, mas ao mesmo tempo é como se fosse um thriller. Os temas do amor e da liberdade ocupam um lugar central, mas é também uma estória sobre a opressão”, afirma o tenor Klaus Florian Vogt.

Beethoven terá dito que esta ópera, baseada numa estória verdadeira, era o trabalho de que mais se orgulhava, mas igualmente o de parto mais difícil. A protagonista é uma mulher, Leonore, que se disfarça de homem, Fidelio, para resgatar da prisão o seu marido, Florestan, depois de este ter sido injustamente acusado de um crime. Nas palavras da soprano Anja Kampe, Leonore “é uma mulher forte, com muita força de vontade e que gera muita empatia. É uma montanha russa de sentimentos: ela tem de ser forte, quando está devastada. Mas consegue recompor-se e isso é interessante.”

Vogt explica que Florestan “é alguém muito vulnerável. Ele esteve preso durante muito tempo, no silêncio e na escuridão, o que deixou uma grande marca. (…) A estória é basicamente sobre o poder do amor e, ao mesmo tempo, sobre a ideia de liberdade, que está no coração desta ópera.”

Anja Kampe destaca ainda a estrutura formal desta obra: “Há muitos elementos sinfónicos, música de câmara, mas há também o lado cómico. É uma grande mistura de vários estilos diferentes.”