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A corrupção dentro e às portas da UE

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A corrupção dentro e às portas da UE

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Os índices de corrupção agravaram-se em alguns Estados da União Europeia e assolam a realidade de países candidatos. Segundo o estudo da ONG Transparência Internacional, 17 países da UE subiram nos rankings, três desceram – França, Suécia e Malta – e o resto manteve-se. A Itália e a Roménia estão empatadas na 43a. posição.

Numa altura em que se debatem os mecanismos necessários para combater a corrupção, pergunta-se também se alguns países entraram cedo demais para a União Europeia, onde muitos pedem critérios de adesão mais rigorosos para os candidatos. A Bósnia-Herzegovina, por exemplo, ocupa a mesma posição nos rankings que o Benim ou a Mongólia. Mas será que um reforço dos critérios pode alimentar a oposição à integração europeia?

O The Network convidou para este debate Elena Panfilova, da Transparência Internacional; Dusko Lopandic, embaixador sérvio na União Europeia; e Ana Gomes, eurodeputada socialista, membro da Comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e Assuntos Internos.

Elena Panfilova salientou que “se a Europa, ou os outros sítios onde os responsáveis corruptos gostam de ir às compras, ou de comprar casas, deixassem de aceitar o seu dinheiro, se fosse criado um registo público de propriedade, eles deixavam de ter para onde ir, porque nos outros sítios é mais difícil de desfrutar da vida, é mais sombrio.” Para Dusko Lopandic, a opção de criar um registo público de bens é algo a ser estudado, mas “há muitas outras questões difíceis nos setores da saúde, da educação, etc., onde a corrupção está muito disseminada.” Ana Gomes declarou que se trata também de “visar o coração da corrupção europeia, que assenta no sistema financeiro e nos paraísos fiscais dentro e fora da União Europeia. Há ‘buracos negros’ que apagam os procedimentos corruptos. (…) Muitas das atividades corruptas na Rússia e noutros países são branqueadas através do sistema financeiro da União Europeia e o dinheiro é investido em bens europeus. Os governos não podem continuar a ignorar esta realidade.”