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Rosetta: Cronologia de uma missão de sucesso

Na edição especial de Space dedicada aos Comet Hunters, o capítulo que criámos sobre a missão Rosetta, acompanhamos a equipa por detrás desta aventura espacial ao longo do último ano. Vamos recuar até janeiro, antes de a sonda Rosetta despertar de uma viagem que durou dez anos.

Na altura, faltavam 288 dias para fazer aterrar o módulo Philae sobre o cometa 67P. Era, portanto, o momento de acordar a sonda que o transportou tão longe. Mas os sinais vitais tardavam a chegar. Até que… “É fantástico receber o sinal de volta. Estamos perante uma aventura incrível, uma das mais desafiantes missões de sempre”, exultava o diretor de operações da Agência Espacial Europeia (ESA), Andrea Accomazzo.

Algumas semanas mais tarde, o ambiente entre a equipa era bastante mais calmo, até porque as coisas pareciam estar sob controlo. Armelle Hubault, membro da missão, explicava-nos que “quando se estabelece contacto com um satélite, toda a gente tem de estar presente, é preciso estar disponível. Nem sempre é fácil gerir a parte da família, da vida privada. Hoje estou otimista, acho que sim, que isto vai funcionar. Fizemos todos os testes que eram necessários, não vai haver surpresas, vai ser fantástico.”

Quando faltavam 204 dias para o Philae ser libertado, os cientistas Matt Taylor e Fred Jansen falavam-nos de Ciência e tatuagens, no centro holandês da Agência Espacial Europeia. Jansen afirmava que “o alvo é uma questão entusiasmante. Não sabemos onde vai ser. Basta o mínimo imprevisto para ir tudo por água abaixo.” Já Taylor era um pouco mais original: “Fiz uma tatuagem de uma missão anterior. Agora claro que tinha de fazer uma da Rosetta. Aqui está ela [mostra-nos o desenho na coxa]…”

No verão, aproximaram-se rapidamente do cometa – mas acabou por não ser exatamente o que estavam à espera. O desafio nesta fase era o de saber como orbitar em torno do cometa – algo completamente inédito – e o de encontrar então o local de aterragem. “Para já, o cometa tem uma forma muito estranha. (…) Nós queremos mapeá-lo a partir de vários ângulos. No início, vamos efetuar órbitas muito estranhas também, quase triangulares, que nos vão dar diferentes perspetivas”, apontava Andrea Accomazzo.

Aquilo que as câmaras da Rosetta captaram foi um bloco de rocha e gelo, onde se vislumbra uma espécie de cabeça e corpo. Aliás, há quem tenha rapidamente encontrado uma sugestiva comparação. Segundo Armelle Hubault, “é um cometa estranho. Tínhamos pensado em várias formas possíveis, mas ninguém esperava um pato de borracha.”

Em setembro, a atenção centrou-se no Philae. A 50 dias da aterragem, no centro da Agência Espacial Europeia em Madrid, Laurence e Michael ultimavam a estratégia: que instrumentos iriam fazer o quê e quando. “O difícil são os imprevistos. Todos os dias, as coisas mudam, o cometa produz mais gás e poeira. A aterragem em si é um feito enorme. O módulo vai separar-se e vai despedir-se da nave-mãe que o trouxe até aqui. E depois vai levar cerca de uma hora a enviar as imagens. Por isso, é muito importante conseguir captar o sinal”, declarava o coordenador Laurence O’Rourke.

Menos de um mês antes da aterragem, os Comet Hunters posicionaram-se a cerca de 10 quilómetros da superfície do cometa. Andrea Accomazzo explicava que se procedia à observação de perto: “Começámos a orbitar gradualmente a baixas altitudes. Claro que o cometa pode tornar-se muito ativo de um momento para o outro e afastar a nave da trajetória. Mas não é algo que possamos prever. Quanto mais suave for a superfície, mais suave se pode tornar a aterragem, o que aumenta as probabilidades de não se virar.”

É claro que a estória não foi assim tão simples, nem tudo correu como previsto. Quarta-feira, 12 de novembro de 2014 – uma data que entrou para a História. O imprevisto foi que o Philae ressaltou, só conseguindo aterrar à terceira, num ponto sombrio onde não recebe luz solar para recarregar as baterias. Mesmo assim, conseguiu recolher dados durante 64 horas antes de esgotar a energia. Alguns dos instrumentos não funcionaram, mas os Comet Hunters chegaram onde queriam. Paolo Ferri, diretor da missão, resumia assim: “A emoção, o entusiasmo… É como se fôssemos crianças no Natal. Acho que as pessoas aqui começam a ter uma noção daquilo que estão a presenciar, que é um momento histórico.”

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