Última hora

Última hora

Liga Portuguesa, J13: Benfica “engole” o Dragão e deixa Sporting a 10 pontos

Em leitura:

Liga Portuguesa, J13: Benfica “engole” o Dragão e deixa Sporting a 10 pontos

Tamanho do texto Aa Aa

Num jogo com apenas um português (André Almeida) entre os 22 titulares, duas “limas” deram um gosto brasileiro ao saboroso triunfo do Benfica na sempre emocionante visita das “águias” ao Dragão. Os campeões nacionais e atuais líderes do campeonato derrotaram o FC Porto, por 0-2, e distanciaram-se na classificação, numa jornada em que ganharam pontos aos três mais diretos perseguidores, nomeadamente ao Sporting, que já está, imagine-se, a 10 pontos dos “arquirrivais” da Segunda Circular.


A equipa de Julen Lopetegui – estreia em clássicos com o Benfica do treinador espanhol – até entrou a todo o gás na partida. Com o único jogador português convocado (Ricardo Quaresma) no banco e o brasileiro Casemiro ao lado do muito móvel mexicano Herrera no miolo, coube ao “dragão” do momento, o argelino Brahimi, e aos espanhóis Tello e Olíver Torres criar caudal ofensivo para servir o “matador” Jackson Martinez. O melhor marcador do campeonato estava, porém, em noite “não” e, de forma involuntária, até de defesa “encarnado” chegou a fazer.

O Benfica chegou ao golo, aos 36 minutos. Lançamento lateral longo de Maxi Pereira, do qual Lopetegui reclamou a legalidade. A bola caiu na pequena área, onde surgiu Lima a marcar com a anca. Um golo estranho, já depois de Jackson ter desperdiçado duas boas ocasiões.

Os “dragões” reagiram à desvantagem. O Benfica ganhou confiança, mantinha a organização defensiva e continuava a aguentar a pressão dos anfitriões. O intervalo passou e o FC Porto continuou por cima, mas cada vez mais a jogar com o coração e contra a frustração da ineficácia.

Diz-se que a sorte protege os audazes. Não foi o caso neste jogo. Aos 56 minutos, Talisca remata rasteiro à entrada da área, Fabiano defende mal para a frente, onde surge de novo Lima a empurrar calmamente para o 0-2. A contenção “encarnada” dava frutos contra a “fúria”, diríamos, espanhola que por estes dias domina o Dragão.


Lopetegui arrisca de pronto. Tira Herrera e Tello, mete Quintero e Quaresma. O português quis liderar a reviravolta, mas esbarrou numa cortina defensiva adversária muito povoada. A promessa de jogo ofensivo de Jorge Jesus nunca se concretizou.

Os “dragões” continuavam melhores, mas sem encontrar o caminho do golo. Aos 77 minutos, Jackson cabeceou pela primeira vez à barra, na recarga Casemiro atira para golo certo, mas o avançado colombiano, qual defesa “adversário, para a bola com o braço. Ainda faz golo, mas o árbitro marca falta: mão na bola.


Pouco depois, já com o camaronês Aboubakar em campo, Quaresma desenha excelente cruzamento da direita e Jackson, outra vez de cabeça, acerta de novo à barra. O FC Porto arriscava tudo. O Benfica queimava tempo. Nos descontos, Jesus ainda colocou Pizzi no lugar de Salvio. As “águias” terminaram com mais portugueses em campo (dois) e com um triunfo debaixo das “asas”, que deixa os “dragões”, tal como o Guimarães, a seis pontos de distância a quatro jornadas do fim da primeira volta.


Em jeito de curiosidade, refira-se que as últimas três vitórias do Benfica na casa do FC Porto para a Liga foram todas por 0-2 e através de bis: Em 1991, de César Brito; em 2005, de Nuno Gomes; e agora de Lima.

“Conquistadores” a perder gás
Depois do nulo na visita ao rival minhoto, o Braga, na jornada anterior, o Vitória de Guimarães recebeu a visita do “europeu” Rio Ave e voltou a não ganhar. Obrigado a mexer no “onze” face às ausências, em especial a do influente médio André André, por castigo, Rui Vitória apostou num “11” jovem, com sete portugueses.

Os vila-condenses, que também vinham de um nulo na Liga diante do Gil Vicente, mudaram igualmente o figurino da equipa habitual, trocando sete jogadores face ao jogo de despedida da Liga Europa, na quinta-feira, em que venceram o Aalborg. Cinco dos titulares, portugueses.


Com a vice-liderança na perspetiva, os vimaranenses assumiram o jogo, controlaram a maior parte da partida, mas não encontraram o caminho do golo. Por vezes, também, por mérito do guarda-redes visitante, Ederson. O Rio Ave estava no jogo, Diego Lopes acertou no poste e já nos descontos ainda cheirou o golo perante o atabalhoamento da defesa da casa. Não conseguiram.

Ninguém marcou. Deu empate. O quarto para Guimarães e Rio Ave neste campeonato. Os vimaranenses estão empatados com o FC Porto (28 pontos), mas em terceiro devido à media de golos marcados e sofridos. Os vila-condenses são oitavos, com 19 pontos.

Moreirense faz tremer Alvalade
Arrumada a Liga dos Campeões, o Sporting retomava em Alvalade os objetivos internos, numa jornada da Liga em que poderia ver reduzida a desvantagem para o primeiro lugar. Estava obrigado, porém, a fazer a sua parte: ganhar.

Vindo de dois triunfos na Liga e seis golos marcados, os “leões” tinham agora pela frente o modesto nono classificado, o Moreirense, que vinha de uma vitória caseia sobre o Paços de Ferreira. Marco Silva repetiu a aposta em Miguel Lopes na lateral direita, deixando Cedric no banco. Ainda sem a “estrela” Nani, optou pela velocidade de Carlos Mané na ala e o criativo João Mário… sentado.

Os minhotos, com seis portugueses, entraram no jogo a dar trabalho a Rui Patrício. O Sporting, com outros seis portugueses no “11”, reagiu, andou perto da baliza de Marafona, mas sem pontaria.

Com menos chances, os visitantes revelaram mais eficácia. Aos 35 minutos, na sequência de um canto atrasado seguido de cruzamento, Cardozo fugiu à marcação, fintou o fora de jogo e marcou de cabeça na cara de Rui Patrício – segundo golo na Liga do paraguaio. Após o intervalo, o Sporting continuou a dominar e a desperdiçar jogadas ofensivas.

Com o tempo a passar, Marco Silva olhou para o banco e, com Tanaka ali à mercê de mais do que 10 minutos, preferiu chamar ao jogo, de novo, Diego Capel. Meteu também João Mário. Tirou Adrien e Mané. As mexidas não carburaram a equipa. Aos 76 minutos, lá veio o melhor marcador da equipa na pré-época.

O Moreirense já só defendia. Por isso, nem soube como aproveitar uma enorme falha de Miguel Lopes, bem remendada por Paulo Oliveira, o novo patrão da defesa leonina. Todo balanceado no ataque, foi já sem discernimento que o Sporting chegou ao empate, nos descontos, num lance em que Tanaka assistiu Montero, que fez o quinto golo no campeonato – o colombiano tem tantos quantos o benfiquista Lima.


O empate foi um mal menor para os “leões”, mas foi um forte tropeção. O Sporting caiu para quinto, por troca com o Sporting de Braga, e ficou com o Paços de Ferreira a dois pontos. O Moreirense mantêm o nono lugar.

“Arsenalistas” foram “guerreiros” em Belém
A derrota do Sporting calhou bem ao Braga, que no sábado havia ganho na visita ao Restelo. O Belenenses foi uma das revelações do início da Liga, mas tem vindo a perder gás. Nem o regresso de Miguel Rosa e Deyverson, depois de terem sido “premiados” com o camarote no duelo com o Benfica, valeu à equipa de Lito Vidigal, que alinhou com oito portugueses contra cinco dos minhotos.

Os “azuis” até desperdiçaram um penálti por Fredy, aos 65 minutos (Matheus defendeu). Podia ter sido o empate depois do golo para os “guerreiros” do Minho, por Alderlan Santos, à meia hora de jogo. Ganhou o Braga, que é agora o quarto classificado. O Belenenses caiu para sétimo.


No jogo que abriu esta 13.a jornada, o Boavista, de Petit, foi a Setúbal vencer o Vitória, de Domingos. Um golo de Zé Manuel, num contra-ataque a meio da segunda parte, gelou um já de si desolado Bonfim, tal a fraca presença de público e o frio que se abateu sobre a foz do Sado. A primeira vitória fora de portas permitiu aos “axadrezados” ascender ao 12.o lugar, empurrando os sadinos para a 14.a posição.


No sábado, o Penafiel recebeu e venceu o Nacional, por 2-1. Foi o segundo triunfo consecutivo dos durienses e que lhes permitiu subir acima da linha de água. Os insulares foram ultrapassados pelo Boavista.

No “vermelho”, entretanto, caiu a Académica. Os “estudantes” deslocaram-se a Barcelos e empataram a um golo. Há sete jogos que não vencem. Os “galos” continuam sem cantar vitória e somaram o sexto empate da temporada, tantos quantos o Sporting e o Estoril. Os “canarinhos” fecharam a jornada, jogando no Funchal à mesma hora do “clássico” do Dragão e empataram a zero com o Marítimo.


O Paços de Ferreira, por fim, jogou ainda no sábado e venceu, em casa, o Arouca.Com nove portugueses, a equipa de Pedro Emanuel foi a que mais jogadores lusos fez alinhar nesta jornada, o que não a ajudou a vencer na Mata Real, onde os “castores”, de Paulo Fonseca, levaram a melhor, por 2-1. O golo do triunfo foi marcado por Cícero já nos descontos.

Resultados da jornada 13
V. Setúbal-Boavista, 0-1
Penafiel-Nacional, 2-1
Gil Vicente-Académica, 1-1
P. Ferreira-Arouca, 2-1
Belenenses-Sp. Braga, 0-1
V. Guimarães-Rio Ave, 0-0
Sporting-Moreirense, 1-1
Marítimo-Estoril, 0-0
FC Porto-Benfica, 0-2


Próxima jornada, a 14
FC Porto-V. Setúbal (19 de dezembro)
Estoril-V. Guimarães (20 de dezembro)
Académica-Penafiel (21 de dezembro)
Arouca-Marítimo
Moreirense-Boavista
Benfica-Gil Vicente
Nacional-Sporting
Sp. Braga-P. Ferreira (22 de dezembro)
Rio Ave-Belenenses