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Quais as expetativas financeiras após as dificuldades de 2014?

Os momentos mais marcantes nos mercados financeiros ao longo de 2014 – foi um ano particularmente difícil, mas há elementos positivos a destacar e

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Quais as expetativas financeiras após as dificuldades de 2014?

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Os momentos mais marcantes nos mercados financeiros ao longo de 2014 – foi um ano particularmente difícil, mas há elementos positivos a destacar e uma longa lista de expetativas para 2015.

Como sempre, a jornalista Daleen Hassan conta com o contributo de Nour Eldeen Al-Hammoury, analista da ADS Securities, que se junta à euronews a partir de Abu Dhabi.

Os investidores americanos viveram um ano mais sólido, com os principais índices a atingirem máximos recorde graças aos incentivos da Reserva Federal e a uma recuperação económica generalizada, embora moderada. O fim do programa de flexibilização quantitativa não produziu grandes efeitos negativos. Os números do crescimento do PIB e a diminuição da taxa de desemprego mantiveram os mercados inspirados.

Na Ásia, vimos a bolsa de Tóquio a marcar pontos depois de o Banco do Japão anunciar a injeção de 80 biliões de iénes na economia nipónica. O Banco Popular da China também mostrou flexibilidade aos investidores, reduzindo a taxa de juro diretora.

Já o Banco Central Europeu cortou nos custos dos créditos. Apesar dos efeitos limitados dos estímulos na zona euro, a maioria dos títulos terminou efetivamente o ano em terreno positivo. No Reino Unido, o cenário de uma Escócia independente e vários escândalos bancários ensombraram o contexto, com as exportações a ressentirem-se. A economia francesa estagnou.

O índice alemão saiu de 2014 relativamente ileso das tensões geopolíticas, nomeadamente do braço de ferro com Moscovo e das sanções ocidentais. Por falar na Rússia, o balanço é pesado, entre os embargos ocidentais, o conflito ucraniano e a queda dos preços do petróleo. O rublo continua numa trajetória descendente apesar das intervenções do banco central russo e da subida da taxa de juro diretora para quase o dobro.

Daleen Hassan, euronews: Os incentivos americanos ajudaram ao desempenho dos mercados. Existe a possibilidade de, em 2015, a Reserva Federal aumentar as taxas de juro?

Nour Eldeen Al-Hammoury: A queda do preço de petróleo mudou as coisas dramaticamente num período de tempo muito reduzido. É muito pouco provável que haja uma nova subida para breve. Aliás, o Índice de Preços na Produção Industrial, o volume de encomendas e o mercado imobiliário começaram a apresentar números negativos. Sendo assim, acreditamos que a Reserva Federal não deverá subir as taxas de juro em 2015.

euronews: Na Ásia, sobressaem o abrandamento na China e a luta japonesa contra a recessão. Quais são as expetativas?

NAH: Começando pela China, a grande preocupação reside na possibilidade de o nível de créditos atingir patamares alarmantes. Vamos estar atentos aos procedimentos do Banco Popular chinês. No caso do Japão, acreditamos que a economia japonesa vai manter-se em recessão ao longo do próximo ano e também prevemos que as políticas do primeiro-ministro vão agravar as coisas.

euronews: Tem sido um ano muito agitado para a Europa. O BCE vai tomar medidas concretas em breve? Até que ponto se pode agravar a situação com a Rússia?

NAH: A Europa tem de agir rapidamente. Apesar de algumas decisões do BCE, a situação económica europeia deteriorou-se muito nos últimos meses. Mais ainda, o declínio dos preços do petróleo aumenta a pressão sobre a inflação. Em breve, a Europa pode vir a sofrer de deflação. Quanto à Rússia, as coisas podem piorar ainda mais. A descida do valor do petróleo afeta muito diretamente a Rússia, ainda mais tendo em conta as sanções ocidentais e a queda do rublo. No entanto, temos de salientar que isto não acontece só na Rússia, mas também no Médio Oriente.

Justamente, os países do Médio Oriente parecem ter entrado em 2014 com o pé direito. O índice saudita reforçou-se em 30%, mas acabou por perder os ganhos e precipitar-se para terreno negativo no final do ano. No entanto, há mudanças no horizonte: a bolsa de Riade vai abrir-se ao investimento internacional no início de 2015. Isso tem contribuído para consolidar o clima de confiança.

O mercado financeiro do Dubai situou-se entre os mais bem-sucedidos a nível mundial, escalando mais de 64% no princípio do ano. No entanto, em dezembro os ganhos saldavam-se em valores sete vezes mais reduzidos. O mesmo em Abu Dhabi, onde as subidas chegaram a registar 25% antes de caírem mais de 20% perto do final do ano. No Egito, os índices incorporaram mais de 45%, à medida que a situação política se estabilizava.

Dois fatores promoveram a instabilidade financeira: as tensões geopolíticas na Líbia, Síria e Iraque, com a possibilidade de uma guerra regional contra o grupo Estado Islâmico; e a queda dos preços do petróleo a atingir as grandes empresas – a descida dramática trouxe o receio de abrandamento económico geral e de orçamentos deficitários na região do Golfo.

Daleen Hassan, euronews: Tendo em conta os desenvolvimentos geopolíticos e a queda do petróleo, quais são os riscos inerentes para os mercados em 2015?

Nour Eldeen Al-Hammoury: A estória continua a ser a mesma. Há dois fatores de relevo: o afundamento do preço do petróleo e o abrandamento económico global. Se estes dois fatores continuarem a verificar-se, a região do Golfo vai ressentir-se. No entanto, as reservas existentes e a abertura ao exterior podem manter uma certa atratividade. Os mercados do Médio Oriente foram dos que melhor se portaram em 2014. Isso deixou de acontecer. Acreditamos que os efeitos das tensões geopolíticas atuais sobre a região e os mercados serão limitados.

euronews: De acordo com os dados disponíveis, qual é a previsão de investimentos nos países do Golfo em 2015?

NAH: Se olharmos para o contexto global, houve grandes tensões entre a Rússia, a Europa e os Estados Unidos, que alimentaram os receios de instabilidade nessas economias. Ao mesmo tempo, esta região, sobretudo em torno do Golfo, tem vivido com mais segurança, mais estabilidade, apesar das tensões no resto do mundo. As primeiras grandes oportunidades vão assentar na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos. A Arábia Saudita vai abrir as portas aos investidores estrangeiros no início do ano. As expetativas são muito elevadas no que toca à injeção de liquidez no mercado. No que diz respeito aos Emirados Árabes Unidos, vão acolher a Expo 2020, há muito potencial a explorar. Por agora, estas são as oportunidades mais interessantes não só no próximo ano, mas nos anos a vir.