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Qual é a utilidade das missões espaciais para a vida no planeta terra?

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Qual é a utilidade das missões espaciais para a vida no planeta terra?

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Em novembro, pela primeira vez uma máquina feita pelo homem aterrou num cometa. O robô Philae pousou no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Para l�

Em novembro, pela primeira vez uma máquina feita pelo homem aterrou num cometa.

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Logo desde o início, tentámos incentivar os investigadores a pensarem nos diferentes usos, espaciais e não espaciais, de uma tecnologia. É um aspeto muito importante sobretudo no caso de um projeto com uma duração de dez anos. Foi o que aconteceu no caso da sonda Rosetta.

O robô Philae pousou no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko.

Para lá chegar, foi transportada pela sonda Rosetta, um percurso que durou dez anos.

Trata-se de um imenso progresso científico na área da exploração espacial mas não só. A tecnologia desenvolvida pela Agência Espacial Europeia tem sido aplicada em vários domínios, incluindo o diagnóstico médico, o tratamento de infestações de percevejos e o desenvolvimento de submarinos.

Entre as diferentes aplicações, o Modulus permite realizar análises geoquímicas e detetar a presença de hidrogénio, carbono nitrogénio e oxigénio.
Além disso a tecnologia pode ser usada no domínio da medicina.

“Através de uma empresa subsidiária, começámos a construir em 2011 um pequeno aparelho que consegue detetar bactérias que normalmente causa feridas e infeções no estômago que podem causar cancro”, explicou Frank Salzgeber, responsável pelo programa de transferência de tecnologias da Agência Espacial Europeia.

O aparelho foi usado para o diagnóstico da tuberculose em África e tem ainda outra aplicação prática, interessante: permite detetar a presença de percevejos, um inseto resistente que se tem tornado epidémico.

“Há ainda outra aplicação interessante no setor alimentar que se baseia no espetrómetro de massa. A empresa chamada Insect é uma subsidiária da nossa incubadora no Reino Unido. Eles usam esta tecnologia para procurar as impressões químicas dos percevejos nos locais onde não queremos que haja percevejos. Por exemplo, nos hotéis e nos armazéns de comida, permite verificar se não vizinhos indesejáveis nos locais de armazenamento alimentar”, acrescentou o responsável.

A transferência de tecnologias para outras áreas faz parte do programa da Agência Espacial Europeia desde o início do projeto.

“Logo desde o início, tentámos incentivar os investigadores a pensarem nos diferentes usos, espaciais e não espaciais, de uma tecnologia. É um aspeto muito importante sobretudo no caso de um projeto com uma duração de dez anos. Foi o que aconteceu no caso da sonda Rosetta”, sublinhou o responsável.

A transferência de tecnologia reforça a indústria europeia ao identificar novas oportunidades de negócio para os fornecedores de tecnologia e sistemas espaciais.
É o caso da Cedrat Technologies, uma pequena empresa de Grenoble. O grupo francês produziu um aparelho para analisar amostras do solo do cometa. Uma tecnologia que pode ser aplicada no domínio médico, nomeadamente nas cirurgias cardíacas.

“Fornecemos um aparelho de estabilização que permite o controlo das vibrações. Quando um cirurgião faz uma operação ao coração, o coração treme no interior da caixa torácica. Normalmente, para-se o coração o que comporta riscos. Deste modo conseguimos controlar as vibrações do coração de modo a reduzir os tremores, o que permite que o cirurgião trabalhe em condições aceitáveis, numa situação em que o coração continua a bater”, referiu François Barillot, engenheiro da Cedrat Technology.

O conceito está a ser testado na área do desporto. A estabilidade é uma noção central quando se trata de esquiar a alta velocidade. Na neve, tal como no espaço, o aparelho permite evitar vibrações que podem ser perigosas.

“Transferimos esta tecnologia para poder controlar as vibrações durante o esqui, numa situação de velocidade elevada. Conseguimos gerir as vibrações, aumentá-las e diminuí-las. Claro a ideia era sobretudo diminuí-las e impedir a vibração do esqui”, explicou o responsável.