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Rússia à beira do abismo financeiro

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Rússia à beira do abismo financeiro

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“Crash” da moeda e da bolsa russas pelo segundo dia consecutivo. Esta terça-feira, a praça moscovita afundou mais de 12% e o rublo viveu o pior dia desde a crise financeira de 1998.

O euro ultrapassou o limite dos 100 rublos e o dólar os 80 rublos.

O mercado entrou em pânico depois de, a meio da noite e de forma inesperada, o Banco Central ter subido as taxas de juro de 10,5% para 17%.

No início do ano, as taxas de juro eram de 5,5%.

A governadora Elvira Nabiullina explica o porquê de uma segunda subida em menos de uma semana: “Temos visto, recentemente, uma queda acentuada do valor da moeda nacional. As principais razões são a queda do preço do petróleo e a incapacidade dos nossos bancos de se financiarem junto de bancos internacionais”.

A subida das taxas de juro será mais um golpe para a economia. Os economistas antecipam um recuo do crédito às empresas e famílias, que enfrentam já uma inflação de 10%, o que se vai refletir na economia.

O governo prevê uma contração do PIB de 0,8% em 2015. Mas o Banco Central evoca um possível recuo de 4,5%, se os preços do petróleo não subirem.

A situação parece fora de controlo.

Além da subida das taxas de juro, o Banco Central continua a intervir no mercado cambial. Este ano já gastou 80 mil milhões de dólares.

Peritos e opositores russos evocam uma situação de “pré-falência da Rússia” e o número dois do Banco Central, Serguei Chvetsov, revela que haverá novas medidas em breve.

Os russos convertem cada vez mais as poupanças em dólares e os analistas temem que Moscovo imponha restrições ao movimento de capitais.

Não há calma à vista. A maior petrolífera russa, Rosneft, vê aproximar-se a data para o reembolso da dívida em dólares. Na semana passada, emitiu dívida num montante de 625 mil milhões de rublos e os investidores temem que use o dinheiro para comprar divisa estrangeira.

A queda do rublo voltou a acompanhar o recuo do preço do petróleo, que está abaixo dos 60 dólares. O barril de Brent acumula uma perda de 40% desde junho. O que representa um duro golpe para a economia russa, que depende das receitas do setor.