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Quando os mitos habitam na sala de aulas

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Quando os mitos habitam na sala de aulas

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Podem contos e mitos ajudar à aprendizagem dos mais novos? Há lugar para as lendas na sala de aulas? Alguns especialistas garantem que as narrativas tradicionais estimulam o pensamento crítico das crianças. Vamos, portanto, explorar projetos que recorrem às narrativas populares no ensino.

Há temas e noções que são mais complicados de abordar numa escola primária, como a economia ou as alterações climáticas, por exemplo. Mas uma escola parisiense encontrou uma forma diferente de contar a estória. À primeira vista, trata-se de um simples espetáculo infantil. Mas é só à primeira vista… Francine Pellaud, uma escritora suíça de livros infantis, é também professora e há anos que tenta desenvolver novos métodos para ensinar Ciências aos alunos. Por detrás dos seus contos existe uma explicação metódica que serve de ilustração para mensagens sobre a poluição ou sobre a crise económica, por exemplo. As estórias não cativam só as crianças. Muitos pais ficam surpreendidos com os efeitos dos contos.

A importância cultural dos contos tradicionais é uma evidência. No México, existe um projeto que renova a tradição de transmitir os mitos locais ao longo das gerações. A mitologia maia é povoada pelas mais diversas criaturas mágicas. São figuras fulcrais para o trabalho de Roldan Peniche que, há algumas décadas, assumiu como missão dar uma nova vida a lendas que pareciam destinadas ao esquecimento. Foi assim que o conto das irmãs gémeas que entraram no mundo subterrâneo de Xibalba, onde governam os espíritos da morte e da doença, se transformou em desenhos animados. A obra deste autor chamou a atenção dos responsáveis escolares do estado mexicano do Iucatão. Junto à pirâmide maia de Acanceh, as crianças conhecem novas criaturas e poderes que há muito vivem nas florestas e lagoas do Iucatão. Ao mesmo tempo, podem partilhar estórias que conheçam através das suas famílias, por exemplo.

Por último, vamos até à Índia, onde uma estudante de mestrado trabalha para despertar o interesse dos mais novos e fazê-los deixar um pouco de lado as estórias modernas em prol das tradicionais. Vithai Zaraunkar sempre alimentou um fascínio pelos contos da tribo Velip, de Goa. Ela própria faz parte da tribo originária de Canacona, no sul de Goa. Vithai começou a gravar os contos da sua comunidade no âmbito de um mestrado em Sociologia. O projeto, orientado por Alito Siqueira, já suscitou o interesse do Ministério da Cultura indiano. “Os mitos são uma forma de organizar a sociedade, são como que fundações. Uma das coisas que distingue este projeto é que tenta traçar um sentido para as estórias dentro da própria comunidade”, afirma o professor.