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Grécia enfrenta furacão financeiro em 2015

A Grécia idealiza 2015 sob o signo da mudança. Há mais de quatro anos que o país vive em crise, não apenas económica, mas, frequentemente, política

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Grécia enfrenta furacão financeiro em 2015

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A Grécia idealiza 2015 sob o signo da mudança. Há mais de quatro anos que o país vive em crise, não apenas económica, mas, frequentemente, política. Os partidos tradicionais estão a lutar para obter o consenso público, afetado pelas medidas de austeridade e pelos planos de resgate do FMI e da União Europeia.

A tentativa falhada do parlamento para eleger um novo presidente abre uma porta de esperança com as eleições antecipadas. O favorito nas sondagens é o partido de esquerda que defendeu as medidas contra a austeridade.: o Syriza.

O ambiente nas ruas é de desgaste, resignação e, às vezes, de alívio:

“Penso que as eleições nos vão levar para outro período difícil, sem que vejamos resultados, pois não há um só partido capaz de governar sozinho”, diz um cidadão.

Uma outra confessa: “Estou preocupada porque não faço ideia do que se vai passar”.

“Finalmente o país vai livrar-se dos que nos beberam o sangue nestes últimos quatro anos.”

Se o Syriza ganhar, no dia 25 de janeiro, e se conseguir governar, não promete sair do euro mas sim anular dois terços da dívida, que se eleva a 175 % do PIB.

Também vai deixar as reformas de lado, que apenas sobrecarregaram a parte mais frágil da sociedade.

Promessas que lançam o alerta nas agências de notação financeira e nos bancos alemães, mas que Alexi Tsipras defende como prioritárias:

“Nem o Syriza nem a democracia constituem uma ameça para a Europa, mas uma esperança para uma saída viável da crise. No último ano, a Grécia foi escolhida para ser a cobaia da austeridade. Agora temos a prova de que foi um catastrófico fracasso.”

Mas, se a Bolsa, sob efeito do pânico, se afunda, esse cenário de catástrofe pode, realmente, produzir-se?
Alexis Tsipras pode permitir-se recusar o reembolso, privando os bancos gregos dae liquidez do BCE, de que precisam?

O analista de mercados, Chris Beauchamp, desconfia:

“Suspeito que os compromissos que o Syriza terá de assumir no governo, vão revelar um partido muito diferente do que se apresenta agora, na oposição. É sempre assim. Quando chega a hora da verdade, a situação é muito diferente da que se argumenta no lado oposto. provavelmente não há tanto a temer como as pessoas pensam, mas srá sempre um obstáculo inoportuno na zona euro”.

O programa do Syriza entra em conflito com os objetivos de austeridade fixados pelos credores da dívida: a Grécia recebeu 240 mil milhões de euros, em 2010. Mas, em troca, a maioria da população passou a viver no limiar da pobreza.