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Charlie Hebdo: Homenagens a um espírito livre e insolente

São muitos os parisienses a colocar flores e outros objetos, em jeito de homenagem, junto à sede do Charlie Hebdo.

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Charlie Hebdo: Homenagens a um espírito livre e insolente

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Em Paris, a zona perto da sede do Charlie Hebdo, palco do massacre de ontem, tornou-se ponto de romaria por parte de amigos daqueles que morreram, fãs da publicação ou simplesmente pessoas revoltadas com o crime.

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Estes jornalistas, estes desenhadores, representam o espírito do maio de 68. Trouxeram um espírito de liberdade, de impertinência. O que aconteceu foi o assassínio desse espírito.

O Charlie Hebdo nasceu em 1970, das cinzas de uma anterior publicação, o Hara Kiri. É um produto do espírito de Maio de 68: “Vim aqui porque sou vizinho e porque estes jornalistas, estes desenhadores, representam para mim, que tenho 66 anos, o espírito do maio de 68. Trouxeram um espírito de liberdade, de impertinência. De certa forma, o que aconteceu foi o assassínio desse espírito. É simbólico de um ponto de vista francês, em particular para as pessoas da minha geração”, diz um parisiense.

Uma mulher muçulmana, presente no local, acrescenta: “Eles não têm nada a ver com a religião muçulmana, Não têm nada a ver. São bárbaros e estão de regresso”.

Outro parisiense, visivelmente emocionado, diz: “Não há direito de matar pessoas que desenham, que dão a sua opinião, independentemente de qual”.

O advogado do Charlie Hebdo prometeu que o jornal vai voltar às bancas na próxima quarta-feira, com uma tiragem excecional de um milhão de exemplares. Para já, é hora de chorar aqueles que morreram por um ideal de liberdade.

“Cada vez mais pessoas estão a vir aqui ao local onde tudo aconteceu, prestar homenagem. Numa atmosfera digna, são cada vez mais aqueles que repetem a frase: Seguimos em frente e não recuamos”, conclui o enviado especial da euronews Olaf Bruns.