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Airbus superou Boeing em encomendas em 2014

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Airbus superou Boeing em encomendas em 2014

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A Airbus superou a Boeing no ano passado em encomendas de aviões comerciais, ficando porém atrás da concorrente norte-americana em volume de entregas.
A Boeing permanece assim a maior fabricante de aeronaves do mundo pelo terceiro ano consecutivo.

A empresa sediada em Toulouse informou nesta terça-feira que recebeu 1.456 encomendas líquidas em 2014, abaixo da marca de 1.503 do ano anterior, ultrapassando o total de 1.432 unidades registado pela Boeing.

A Airbus entregou 629 aviões a 89 clientes, em 2014, o que a coloca 94 aeronaves abaixo das entregas da Boeing.

A fabricante europeia de aviões comerciais adiantou ter perspectivas de superar a rival norte-americana nos próximos anos, com as 6.386 encomendas que tem em carteira, mais 597 que a Boeing.

O total de entregas registado pelas duas empresas subiu 6%, para um recorde de 1.352 aeronaves, o que em parte se explica pelo rápido crescimento da Ásia como um centro de aviação comercial.

A euronews falou com Fabrice Brégier, diretor executivo da construtora de aeronáutica europeia, sobre as perspectivas da Airbus para 2015.

Antoine Juillard (euronews):
Está connosco Fabrice Brégier, diretor executivo da Airbus.
A aeronave A350, o mais recente avião da Airbus, tem um belo futuro comercial pela frente. Quais as expetativas da Airbus em relação a este comercial de grande alcance?

Fabrice Brégier, diretor executivo da Airbus :
Lançámos este novo avião com muitos materiais compostos, em particular para a fuselagem e as asas, para o tornar mais ligeiro, apto a consumir menos combustível, a partir de 2007. Foram oito anos de esforços para entregar o primeiro aparelho à companhia aérea do Qatar e atualmente mantemos este ritmo. Temos já 750 encomendas, 40 clientes. Com este avião atacamos um mercado de cerca de seis mil aparelhos. Trata-se portanto de um desafio considerável a longo prazo para o futuro da Airbus e de toda a aeronáutica europeia.

euronews:
O A350 pode assim tornar-se o veículo de tração comercial da Airbus, um papel que o A380 já não consegue desempenhar, com o fraco nível de vendas. Sendo assim, é de esperar que a Airbus decida interromper a produção dos A380?

Fabrice Brégier:
Não. O A380 mantém um bom resultado, entregámos 30 aparelhos no ano passado e queremos manter este ritmo nos próximos anos. Observamos um regresso das companhias aéreas nossas clientes e dos seus passageiros. Esse avião oferece um nível de conforto único e sabemos que o mercado aeronáutico duplica de dimensão todos os 15 anos. Isto quer dizer que vão ser cada vez mais necessários aviões grandes como o A380, o que lhe garantirá progressivamente um lugar num mercado mais alargado. Acabaremos por nos debruçar sobre uma evolução do A380, mas não é algo que esteja atualmente na mesa.

euronews:
Pode dar-nos uma ideia do que representa para a Airbus a queda do euro?

Fabrice Brégier:
A queda do euro é extremamente importante para todas as indústrias de exportação e nós exportamos 100% da nossa produção. Para além disto, enfrentamos um concorrente, a Boeing, que tem os seus custos em dólares. Tem um efeito imediato sobre as empresas mais pequenas, que não possuem mecanismos de proteção cambial a prazo. É graças a estes mecanismos que nós estamos menos sujeitos a flutuações num sentido ou noutro., mas podemos dizer que 10 cêntimos de diferença do euro face ao dólar representam um milhão de euros mais ou menos para a Airbus. Ou seja: a longo prazo é de facto extremamente importante.