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"Luta contra os jihadistas exige um verdadeiro trabalho social"

O analista político alemão Asiem el Diafroui, especialista em assuntos de segurança, defende que a luta contra os jihadistas exige, mais que um controlo de fronteiras, um verdadeiro trabalho social. E

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"Luta contra os jihadistas exige um verdadeiro trabalho social"

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Rudolf Herbert, euronews:
“Os ataques da semana passada mudaram a Europa? Vão mudar França?”

Asiem El Difraoui, analista político:
“Acredito que os ataques em França vão ter um significado histórico. Existe uma grande questão: será que França, já enfraquecida pela crise económica, por uma certa falta de confiança, vai usar esta tragédia como uma oportunidade para repensar a integração ou certas forças políticas vão aproveitar o momento para fechá-la? Neste caso estou a pensar na Frente Nacional de extrema direita”.

Rudolf Herbert, euronews:
“Será que estes ataques podem fortalecer movimentos como o Pegida na Alemanha?”

Asiem El Difraoui, analista político:
“A questão coloca-se não só na Alemanha como em toda a Europa. Será que estes ataques vão fortalecer ainda mais a “islamofobia”, os grupos de extrema direita, populistas?
Acredito que estamos perante um momento decisivo em que os políticos moderados e as associações muçulmanas têm de estar unidos”.

Rudolf Herbert, euronews:
“Qual o papel do Islão e dos fundamentalismos religiosos nestes ataques? Foram só um pretexto ou será algo mais?

Asiem El Difraoui, analista político:
“Existe uma questão básica: terá o jihadismo alguma coisa a ver com o Islão ou será apenas um setor que usa o Islão como fachada? Mesmo os islamitas, ou seja, quem exige que o Islão desempenhe um papel político, mesmo quem pede um Estado Islâmico, diz que estes jihadistas não devem ser relacionados com a religião. É um movimento extremista que vive à margem do Islão.

Rudolf Herbert, euronews:
Nos últimos anos, milhares de jovens muçulmanos europeus radicalizaram-se, centenas lutam no Iraque e na Síria. Existe uma explicação?

Asiem El Difraoui, analista político:
Existem vários fatores que se juntam. Basicamente, a anti-cultura jihadista espalhou-se entre os jovens e, felizmente, são não serão muitos. Já não está na moda ser “punk”. Mas se sentir excluído da sociedade ocidental, se quiser ser muito diferente, se quiser mostrar alguma revolta, então é fácil tornar-se jihadista. Além disso, o jihadismo tem a promessa de salvação: “junta-te a nós, a esta comunidade de fé e a tua alma será salva”.”

Rudolf Herbert, euronews:
“Não haverá o perigo da comunidade muçulmana na Europa ser criminalizada?”

Asiem El Difraoui, analista político:
“É claro que existe esse perigo. Quanto mais pessoas forem rejeitadas, mais haverá o perigo de radicalização”.

Rudolf Herbert, euronews:
“Como é que a Europa pode fazer frente ao Islamismo?”

Asiem El Difraoui, analista político:
“Os serviços de segurança europeus deve cooperar de forma mais intensa
mas ao mesmo tempo, a luta contra o jihadismo requer medidas a longo termo de forma a explicar a estes jovens, que vivem à margem da sociedade, que jihadismo não é solução e não tem nada a ver com o Islão. Mas este será um problema a longo prazo, que vai continuar a existir na Europa durante décadas”