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"Os Heróis de Charlie" é a versão pirata e igualmente esgotada de Charlie Hebdo

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"Os Heróis de Charlie" é a versão pirata e igualmente esgotada de Charlie Hebdo

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Depois da onda de choque provocada pelo atentado contra o jornal Charlie Hebdo, na quarta-feira, 7 de janeiro, cartoonistas, comunicadores e

Depois da onda de choque provocada pelo atentado contra o jornal Charlie Hebdo, na quarta-feira, 7 de janeiro, cartoonistas, comunicadores e tipógrafos juntaram-se em Lyon, a segunda maior cidade de França, para publicar o “Charlie Héros” – em português, “Os Heróis de Charlie” -, uma edição especial de homenagem às vitimas do ataque ao jornal satírico de Paris.

Oito mil exemplares do “Charlie Héros” foram distribuídas gratuitamente na marcha, que juntou, no domingo, 11 de janeiro, cerca de 300 mil pessoas só em Lyon.

Frédéric Ponsard, euronews: Foi aqui que tudo começou após o atentado contra o Charlie Hebdo? *Jean-Charles Lavégie, diretor artístico do “Charlie Héros”:*Nós apenas reagimos. A certa altura eu disse: “Vamos criar um jornal pirata, do Charlie Hebdo”. O Olivier d’Aarfeuille, o meu sócio, acompanhou-me. Enviamos e-mails para alguns amigos ilustradores para ver se a ideia lhes interessava. Recebemos de pronto mensagens de apoio e também desde logo alguns cartoons originais assinados por pessoas que já os tinham no papel e que aceitaram publica-los no nosso jornal.

Uma segunda tiragem dos “Heróis de Charlie”, apenas renovada com uma capa diferente agora em tons azuis, foi, entretanto, produzida para nova distribuição gratuita na véspera do lançamento, esta quarta-feira, uma semana após o atentado, da nova edição do Charlie Hebdo.

Para a pequena equipa de voluntários que montou o “Charlie Héros”, o trabalho fez-se à antiga. Os primeiros números impressos saíram da gráfica por meios próprios como “scooters”, rumo ao centro de distribuição, na praça de Terreaux, diante dos Paços do Concelho de Lyon.

euronews: Ficaram surpreendidos pela recetividade recebida de todo o Mundo?
Olivier d’Arfeuille, cartoonista: Sim, porque lançámo-nos nisto a ver no que dava. Sentíamos, de facto, algum pânico tal o eco nas redes sociais. Os desenhos não paravam de nos chegar e assim continuou toda noite. Mesmo no dia seguinte, após termos fechado a edição, continuaram a enviar-nos cartoons. Recebemos muitos.

Uma multidão juntou-se, terça-feira, em Lyon à espera de um exemplar gratuito desta nova edição dos “Heróis de Charlie”. Uma das pessoas que conseguiu uma cópia disse-nos: “Tenho muitos amigos que não puderam vir buscar um exemplar. No domingo, chegámos tarde à marcha e já não haviam cópias. Para cada um de nós, ter um jornal destes representa a liberdade de expressão. Por isso, continuamos de pé e a ler este tipo de imprensa.”

Um homem contou-nos que teve “de esperar uma hora para conseguir o exemplar”. “Mas obrigado. Obrigado ‘Charlie Héros’”, agradeceu.

Mesmo que a condenação dos ataques ao Charlie Hebdo seja unânime, há quem, apesar de tudo, saliente as críticas ao conteúdo deste agora mundialmente famoso jornal satírico. “‘Charlie Héros’, sim, mas na verdade isto é o mesmo que o Charlie Hebdo. Para mim, o atentado cometido é inadmissível. Todos o condenam, os muçulmanos inclusive. Por outro lado, as caricaturas são também elas uma provocação pura e dura”, afirmou uma jovem.

Mais de três mil cópias desta nova edição de “Charlie Héros” esgotaram em cerca de dez minutos. “Correu tudo bem. Havia muito mais pessoas do que as que estávamos à espera. Chegámos a pensar que íamos perder o controlo porque elas começavam a empurrar-se. Todos queriam uma cópia e só podíamos dar uma a cada um. No final, tudo decorreu muito bem”, congratulou-se Jean-Charles Lavegie.

Por fim, graças a um mecenas, uma terceira edição de “Os Heróis de Charlie” vai poder ver a luz do dia. A distribuição voltará a ser gratuita, mas desta feita a partir de 200 postos pela cidade de Lyon.