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Bélgica antecipa ataque, mata "jihadistas" e primeiro-ministro lança aviso

“O medo tem de mudar para o lado dos terroristas”, afirmou esta quinta-feira à noite o primeiro-ministro belga, Charles Michel. A declaração em jeito

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Bélgica antecipa ataque, mata "jihadistas" e primeiro-ministro lança aviso

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“O medo tem de mudar para o lado dos terroristas”, afirmou esta quinta-feira à noite o primeiro-ministro belga, Charles Michel. A declaração em jeito de aviso surgiu no final de uma reunião de emergência após a vasta operação antiterrorista lançada pela polícia belga em várias cidades, na qual foram mortos dois alegados “jihadistas” e que terá evitado um atentado de grande envergadura na Bélgica, como garantiu o porta-voz da Procuradoria Federal belga.

“As ações policiais foram conduzidas ao abrigo de uma investigação em curso sobre uma célula operacional formada por pessoas, das quais algumas tinham acabado de regressar da Síria há uma semana. A investigação permitiu-nos descobrir que este grupo estava a preparar-se para cometer um ataque terrorista de grande escala na Bélgica, um atentado iminente”, afirmou Thierry Werts.

O porta-voz revelou ainda que os suspeitos “abriram fogo de imediato, recorrendo a armas de guerra do tipo ‘kalashnikov’”. “Dois suspeitos morreram, um terceiro foi preso no local. Nenhum civil ou agente da policia foram feridos”, acrescentou Werts.

Uma testemunha da operação em Verviers, Emrick Bertholet, ficou em choque: “Ouvi o som de granadas e rajadas de tiros. Fiquei em choque, com um pouco de medo e também surpreso, por isto poder acontecer aqui”. O local foi isolado e está a ser analisado ao pormenor pela polícia científica. Quatro metralhadoras “kalashnikov” e material utilizado no fabrico de explosivos foram recolhidos.

Com Charles Michel a assumir que “o governo está determinado a combater aqueles que pretendem semear o terror”, o representante do procurador belga, Eric van der Sijpt esclareceu que, para já”, “nenhuma ligação foi estabelecida com os atentados de Paris”, onde há uma semana morreram 17 pessoas.

A justiça belga está, ainda assim, a tentar confirmar uma eventual ligação entre um conhecido traficante de armas radicado no país e Amédy Coulibaly, o terrorista que atacou o supermercado judeu em Paris e matou quatro pessoas. Este traficante, ao que foi apurado, terá comprado o carro que pertencia a Hayat Boumeddiene, a companheira de Coulibaly, que é procurada pela polícia, mas que poderá ter conseguido fugir para a Síria.

A operação antiterrorista belga partiu, entretanto, da localidade de Verviers, no leste do país, começou ao fim da tarde de quinta-feira e estendeu-se à capital Bruxelas e a Vilvoorde. Mais de uma dúzia de rusgas foram efetuadas por todo a Bélgica, com especial atenção na também capital da União Europeia, Bruxelas, e pelos arredores, onde a operação se prolongou pela madrugada e deverá prosseguir esta sexta-feira. O trabalho mais importante está feito, mas outras detenções são ainda aguardadas”, assumiu Eric van der Sijpt.

A Bélgica foi palco em maio passado de um atentado terrorista no Museu judaico de Bruxelas. Mehdi Nemmouche, portador de passaporte francês, regressado da Síria alguns meses antes, matou ali quatro pessoas. Na sequência da operação desta quinta-feira e após ter sido avisado de potencial perigo, a comunidade judaica belga decidiu fechar as respetivas escolas nas localidades de Anvers e Bruxelas. O nível de alerta foi, entretanto, aumentado para três, num máximo de quatro, nas esquadras de polícia e no “campus” da Justiça belga.

Dados oficiais dão conta de que mais de 330 belgas terão deixado o país para ir combater na Síria. Meia centena terá morrido, mas cerca de 100 terão regressado à Bélgica. A cidade de Verviers é considerada um dos principais “ninhos” dos radicais islâmicos no país.