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Quem ganha e quem perde com a valorização do franco suíço?

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Quem ganha e quem perde com a valorização do franco suíço?

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Na Suíça, segundo dia de longas filas de espera à porta de empresas de câmbio. Todos querem aproveitar para comprar euros baratos, depois da decisão do Banco Nacional Suíço ter provocado uma forte valorização do franco.

O banco central abandonou a taxa de câmbio mínima (1,20 francos) face ao euro. Após o anúncio, a divisa disparou 30%, antes de recuar um pouco. Estava, esta sexta-feira, perto da paridade com o euro.

Bancos portugueses com filiais na Suíça evocam um aumento dos pedidos para envio de dinheiro para Portugal, por parte de empresários e emigrantes.

Mas todos os setores económicos na Suíça alertam para o impacto negativo que a decisão vai ter na economia. A começar pelas exportações, turismo ou comércio.

Serão agora ainda mais as pessoas que vão atravessar a fronteira para fazer compras.

João, português e habitante de Genebra, conta: “Para mim são excelentes notícias, para tudo, para as férias, para as compras. Faço muitas compras em França, é muito mais barato do que na Suíça. E, agora, é ainda mais barato. É preciso aproveitar”.

Mas nem todos beneficiam com a valorização do franco suíço.

Os funcionários públicos portugueses na Suíça, pagos em euros, estão preocupados. O fim da taxa de câmbio mínima franco/euro vai afetar os salários.

Na Polónia, há milhares de pessoas que possuem créditos imobiliários em francos e que viram as prestações disparar num instante. A situação ameaça o sistema bancário do país.

Analista imobiliário, Marcin Krason defende: “Corre-se um risco com empréstimos em divisa estrangeira. Houve 560 mil pessoas que aceitaram esse risco. Durante anos, pagaram prestações muito baixas, o que não era mau, mas os tempos difíceis chegaram”.

Na Hungria, os efeitos serão inferiores, graças à lei implementada em novembro.

Estima-se que as famílias húngaras tenham 10 mil milhões de euros em empréstimos em divisa suíça. Mas os créditos serão convertidos em florins a partir de fevereiro, a uma taxa fixa de 256 florins por um franco.

Daniel Palotai, membro do banco central húngaro, estima que a lei tenha evitado um aumento de 25% das prestações imobiliárias.

Na Áustria, a valorização do franco está a criar problemas aos grandes bancos. Há quase 26 mil milhões de euros de empréstimos em divisa estrangeira e 96% são em francos suíços.

A decisão do Banco Nacional Suíço teve efeitos junto das empresas ligadas ao mercado cambial.

O gabinete de corretagem Alpari Uk, sediado em Londres, declarou falência esta sexta-feira, depois dos clientes “terem registado perdas que ultrapassam os capitais próprios”.

A norte-americana FXCM avisa que poderá não respeitar os rácios exigidos pelas autoridades e o grupo IG, estima ter perdido o equivalente a 39 milhões de euros, com a valorização do franco suíço.