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Grécia: À espera da retoma anunciada

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Grécia: À espera da retoma anunciada

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Seis anos de recessão e uma taxa de desemprego que chegou a atingir os 28 por cento são alguns números da crise na Grécia. A vida de milhões de pessoas ficou virada do avesso nos últimos anos. É o caso dos trabalhadores de uma fábrica de cimento nos arredores de Atenas. Há dois anos a administração encerrou unidade fabril mas alguns trabalhadores continuam à espera do despedimento.

Stelios Fotias, empregado da cimenteira:

“- Trata-se de um despedimento maciço, de 226 trabalhadores. Eles não dispensaram 50 ou 80 pessoas. Foi toda a gente. É apenas uma questão de tempo. Nós ainda não fomos despedidos. Talvez neste mês ou no próximo. Mais tarde ou mais cedo isto vai acabar.”

O grupo francês Lafarge afirmou que apesar dos esforços de modernização da fábrica não foi possível mantê-la competitiva.

Symela Touchtidou, Euronews:

“- Até há quatro anos a região de Evia era um dos centros industriais da Grécia. Agora está transformada numa região sinistrada pelo desemprego, com uma taxa que ultrapassa os 35 por cento.”

A Grécia viu o Produto Interno Bruto recuar 26 por cento nos últimos seis anos.

Maria Smirneou, diretora do centro de emprego de Evia:

“- Desde 2010 que assistimos a uma constante desindustrialização da região. Fecharam muitas fábricas que antes eram pujantes, empregavam centenas de pessoas e tinham um grande impacto na região.”

Por enquanto, algumas companhias conseguiram sobreviver. A tabaqueira Papastratos investiu fortemente e espera alcançar uma posição de mercado dominante quando a crise acabar. Não despediu trabalhadores e manteve os salários. Mas a tributação fiscal ameaça a sua estratégia.

Nikitas Theophilopoulos, CEO da Papastratos:

“- Os impostos subiram sete vezes nos últimos cinco anos. 90 por cento do preço final dos nossos produtos é constituído por impostos, o que nos deixa apenas uma margem de dez por cento para a indústria e para o retalho. Além disso, a quebra do poder de compra foi um grande problema. Como resultado, assistimos à subida do contrabando.”

O setor do turismo alavancou o regresso ao crescimento económico em 2014. No ano passado a Grécia foi visitada por 24 milhões de turistas. Os profissionais do setor esperam que 2015 seja ainda melhor, mas temem que o regresso da crise grega aos títulos noticiosos assuste os turistas.

Yiannis Retsos, presidente da Federação dos Proprietários de Hotéis Helénicos:

“- Em 2014 registámos um recorde de 24 milhões de chegadas. A última coisa que queremos é o regresso da imagem de uma Grécia em decomposição aos media internacionais, porque a Grécia não está em decomposição. Por isso pedimos a todos os partidos contenção durante a campanha e eleições calmas.”

Para a comunidade empresarial grega o que está em causa é a estabilidade política. Independentemente do partido que ganhe as eleições, o patronato apenas quer um governo estável que não ponha em causa as relações do país com os parceiros europeus.