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BCE: O que é a "flexibilização quantitativa? Quais as vantagens e os riscos?

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BCE: O que é a "flexibilização quantitativa? Quais as vantagens e os riscos?

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O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, anunciou, esta quinta-feira, a tão desejada bazuca monetária. Mas o que é? Quais os efeitos da designada “flexibilização quantitativa”?

Para se financiarem, os governos e empresas emitem títulos de dívida. Estes podem ser vendidos, no mercado secundário, durante o prazo de validade e têm indexados uma taxa de juro, paga ao detentor quando vencem.

O BCE vai comprar as obrigações em categoria de investimento, o que equivale, no final, a “imprimir dinheiro”. O objetivo é fazer subir a inflação para perto da meta de 2%. A taxa caiu, em dezembro, para terreno negativo, pela primeira vez desde 2009, e teme-se que a zona euro mergulhe na deflação.

Com o programa, o BCE quer fazer aumentar os preços, mas quer também incentivar o consumo, e ao mesmo tempo, o crescimento da economia.

Com o “quantitative easing”, o BCE compra os títulos de dívida pública e privada aos bancos, que são quem compra mais obrigações. Com a liquidez assim adquirida, espera-se que os bancos concedam mais crédito às famílias e empresas, ou seja, à economia real.

O BCE prevê gastar 60 mil milhões de euros por mês, a partir de março.

Mark Hafaele, do gabinete de investimento mundial do UBS, estima: “O tamanho é maior do que o esperado, mas o mais importante é que não há uma data limite. O BCE poderá fazer mais se julgar necessário. Outro ponto importante é que há uma partilha dos riscos envolvidos. Em alguns aspetos, é um anúncio histórico”.

Os bancos centrais dos vários países do euro vão ter assumir 80% dos riscos do programa. Uma medida que responde às exigências da Alemanha, que recusa uma mutualização da dívida entre países e teme a criação de bolhas financeiras.

Com o anúncio, as taxas de juro da dívida soberana dos vários países recuaram. Como estas servem de referência para os créditos bancários, os empréstimos, para comprar casa, por exemplo, deverão ficar mais baratos. E quem já tem crédito pode pedir para renegociar.

Com a injeção de liquidez no mercado, o BCE provoca uma desvalorização do euro. Será mais barato passar férias na Europa e será benéfico para as empresas, que poderão ver aumentar as exportações, investir e criar empregos.

Mas o programa tem riscos. E se os bancos não emprestarem à economia real? O mecanismo de transmissão não está garantido, já que os bancos podem usar o dinheiro para se auto-financiarem.

Há depois também o risco da inflação subir demasiado ou, como teme Angela Merkel, que os países abrandem ou abandonem as reformas estruturais.