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Grécia: Tsipras rompe com o passado logo na tomada de posse

Sinal da ruptura que o Syriza quer representar na política, Alexis Tsipras prestou, esta segunda-feira, juramento como primeiro-ministro da Grécia numa cerimónia exclusivamente civil.

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Grécia: Tsipras rompe com o passado logo na tomada de posse

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Sinal da ruptura que o Syriza quer encarnar na política, Alexis Tsipras prestou, esta segunda-feira, juramento como primeiro-ministro da Grécia numa cerimónia exclusivamente civil. O líder do Syriza não fez o juramento religioso, com a mão sobre a Bíblia, como é tradição na história política do país que ‘inventou’ a democracia.

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O líder do Syriza não fez o juramento religioso, com a mão sobre a Bíblia, uma novidade na história política do país que 'inventou' a democracia.

Prestado o juramento, o Presidente Karolos Papoulias e o chefe da nova esquerda assinaram o decreto de nomeação do mais jovem primeiro-ministro da Grécia: Alexis Tsipras tem 38 anos.

Antes, o líder do Syriza explicou ao Arcebispo de Atenas que só prestaria juramento civil, mas garantiu ao ortodoxo Jerónimo II que “as relações entre a Igreja e o Estado serão mais importantes do que no passado”.

Depois da vitória esmagadora nas eleições antecipadas deste domingo, que deixou o Syriza a dois deputados da maioria absoluta, Tsipras conseguiu formar uma coligação governamental logo na primeira reunião da manhã.

O futuro executivo, que deverá ser anunciado esta terça-feira, reúne dois aliados improváveis: O Syriza – de esquerda – e a direita nacionalista encarnada nos Gregos Independentes, dois partidos unidos na rejeição da austeridade, mas com posições diametralmente opostas em quase tudo, a começar pela imigração e a acabar nos direitos dos homossexuais.

Segundo um dos correspondentes da euronews em Atenas, Stamatis Giannisis, “esta estranha aliança ideológica entre o Syriza e os Gregos Independentes pode tornar-se turbulenta já que as abissais divergências políticas entre as duas formações podem, no curto prazo, tornar-se mais fortes do que o objectivo comum de libertar a Grécia dos seus credores internacionais”.

Talvez a prever tensões e instabilidade na coligação, Alexis Tsipras também conversou com o To Potami, o Rio, um partido de centro-esquerda – dirigido por um popular jornalista que entrou na política – e também com o partido comunista grego, duas forças mais próximas do espectro político do Syriza.

Depois de tomar posse, o primeiro acto oficial de Tsipras foi ir ao memorial da resistência prestar homenagem a 200 comunistas fuzilados pelos nazis no dia 1 de maio de 1944.