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Governo grego de políticos inexperientes quer fazer história


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Governo grego de políticos inexperientes quer fazer história

Yannis Dragasakis , o novo vice-primeiro ministro grego, é um dos dois membros do executivo – o único do SYRIZA – com experiência de governo anterior. O outro é o ministro da Defesa dos gregos Independentes, Panos Kammenos.
Dragasakis – que foi vice-ministro das Finanças , em 1989, durante cinco meses – é delegado nas negociações com os credores da Troika.

O atual ministro das Finanças é o professor de Economia, Yannis Varoufakis. Auto define-se como um “marxista errático”, que defende que Bruxelas transformou a Grécia numa colónia de dívidas e austeridade, uma tortura que define como “waterboarding” fiscal. Por isso não é de estranhar a controvérsia que causou ao prometer “ destruir o sistema oligarquia grega”, apsaer de ter sido conselheiro do ex-primeiro-ministro socialista Papandreus.

A criação de uma nova pasta, com a nomeação de Panayotis Nicoloudis para ministro da Transparência, envia a mensagem de que o governo está a preparar a ofensiva contra a evasão fiscal e contra a corrupção.

A prioridade de Varoufakis, é enfrentar a crise humanitátia do país, com uma taxa de desemprego recorde e um sistema de proteção social falido, que empurrou dezenas de milhares de pessoas para a pobreza e doença.

Segundo um relatório da UNICEF, sobre a pobreza infantil nos países em desenvolvimento, a Grécia teve, com a Islândia, o maior aumento de crianças atingidas pela pobreza, desde 2008. Uma família grega de três pessoas vive, m média, com 10 mil euros por ano.

A redução do fardo da dívida é desejada pelos eleitore gregos, mas a Alemanha, apoiada por outros governos da europa do norte, é contra qualquer anulação, mesmo parcial, da dívida grega.

Convencer Bruxelas e Berlim, principalmente, a renegociar os termos do acordo de resgate e amortização de uma grande parte da dívida, que se eleva à total exorbitante de 175% do PIB, é o maior desafio de todos.

O professor de Economia na Sorbonne, Mathieu Plane, conselheiro económico do antigo ministro francês Arnaud Montebourg, é conhecido pelos ataques contra a austeridade orçamental, a que também foi sempre apresentada, pelo novo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, como o pior inimigo do país.

Arzu Kaiaoglu, euronews – A austeridade nunca funcionou na Grécia, em Espanha ou em França? Porquê? Porque é que o FMI e a Troika persistem em aplicá-la na Grécia?

Mathieu Plane – Em função da situação económica, o impacto da austeridade pode ser diferente. Os tratados orçamentais europeus, pela própria natureza, impõem uma política de austeridade e constatamos que, quanto maior é a sua dificuldade, mais lhe exigimos que reduza rapidamente o défice e as dívidas, e é aí que reside o pecado desta política, é onde vemos que é contraprodutiva para um determinado número de países.
É verdade que é preciso reduzir os défices mas exigimos desses países uma redução demasiado rápida que afetou o crescimento e reduziu drasticamente a atividade, o que conduziu a mais endividamento e mais déficit.

Um dos erros da Comissão Europeia, quanto a mim, foi ter subestimado o impacto da austeridade, e o que é muito interessante é que o FMI, que apoiava muito esta política no início, já fez o mea culpa e assumiu ter-se enganado na análises sobre austeridade – nomeadamente que as consequências são maiores do que as previstas.

euronews – A austeridade é a única solução face à degradação das finanças públicas? Que outras políticas podiam ter sido propostas à Grécia, para sair da crise?

Mathieu Plane – O que é, propriamente, a austeridade? A austeridade grega foi extremamente forte e dolorosa: lembremos que a atividade caiu 25%, ou 25 pontos do PIB, que é o equivalente à depressão dos anos 30 e que se aplicam â Grécia com uma taxa de desemprego superior, próxima de 30 , mas de 50 quanto aos jovens.
Hoje, o problema não é, finalmente, a austeridade, mas a intensidade da austeridade, ou seja, podemos ter políticas que exijam, efetivamente, uma reducão de déficits, mas que sejam sustentáveis e, principalmente, que sejam acompanhadas de outro tipo de política, de uma política monetária um pouco mais suave como fizémos nos Estados Unidos.
O problema da Europa é que exigimos, ao mesmo tempo, uma política orçamental extremamente dura e uma política monetária menos suave do que a aplicada noutros países e ainda por cima, com o euro forte. Durante a crise vivida não houve nada a impulsionar o crescimento.

euronews – As alternativas à austeridade poderão significar que os países do coração da Europa, nomeadamente o motor franco-alemão, vão financiar o relançamento de outros países – apesar de isso supor um grau de integração que não existe, não é?

Mathieu Plane – Tem razão, ou seja, perante esta dificuldade, as transferências entre os países são mínimas, efetivamente, não há solidariedade bna Europa.
Será que podemos viver com a moeda única se não temos uma integração orçamental mais forte? Se não mutualizamos as dívidas?
É a verdadeira questão, mas também exige que um determinado número de países perca soberania, também exige transferências importantes dos países centrais, do coração da Europa, para os países periféricos?

A transferência de riqueza é algo que os eleitores têm de aceitar. No fundo, não há grandes opções: ou seguimos no sentido de uma maior integração europeia e fiscal, quer dizer, podemos até imaginar um imposto europeu para financiar o orçamento europeu e as transferências, ou, infelizmente, se tivermos o problema de cooperação que temos hoje não estamos livres do risco de saída da Grécia da zona euro e mesmo do fim da moeda única. Concluindo: é preciso Mais Europa.

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