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Merkel e Orban em divergência sobre democracia liberal

A chanceler alemã Angela Merkel criticou na segunda-feira o conceito de “democracia não liberal” defendido pelo chefe do governo húngaro Viktor

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Merkel e Orban em divergência sobre democracia liberal

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A chanceler alemã Angela Merkel criticou na segunda-feira o conceito de “democracia não liberal” defendido pelo chefe do governo húngaro Viktor Orban.

Durante uma visita oficial a Budapeste, Merkel sublinhou que “é muito importante, em democracia, mesmo quando se dispõe de uma larga maioria, de dialogar com a oposição, sociedade civil e meios de comunicação social”.

O primeiro-ministro húngaro, que no verão de 2014 apontou a Rússia, China e Singapura como modelos de “democracia não liberal” que desejaria implementar no seu país, frisou que a sua visão política não comunga dos princípios formulados pela chancelar alemã:

“Não pensamos que a democracia seja necessariamente liberal. Isso seria conceder primazia a uma escola de pensamento e não desejamos fazê-lo”

Para Angela Merkel, o liberalismo é precisamente uma das raízes da democracia:

“O partido de onde venho, a União Democrata-Cristã, tem três raízes: democrata-cristã, liberal e conservadora, por isso somos o partido do povo. Por isso o termo ‘não liberal’ não tem nada que ver com a democracia”.

Viktor Orban tem sublinhado a sua admiração pelo modelo político russo, implementado pelo presidente Vladimir Putin, que acolherá em Budapeste dia 17 de fevereiro.

Membro da União Europeia desde 2004, a Hungria permanece muito dependente do gás russo. Viktor Orban, cujo executivo não se demarcou das sanções impostas pela UE à Rússia, no quadro da crise ucraniana, declarou serem medidas contraprodutivas.

Cerca de quatro mil pessoas protestaram no domingo, em Budapeste, apelando para que Angela Merkel defenda com determinação os valores democráticos europeus

Esta segunda-feira, diante da universidade Andrássy, onde a chanceler alemã foi homenageada com um grau de Doutor Honoris Causa, opositores da política de Orban voltaram a pedir o apoio de Angela Merkel.