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O abc da dívida grega

O novo governo grego realiza, esta semana, uma operação de charme junto das principais capitais europeias. O objetivo é convencer os parceiros

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O abc da dívida grega

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A Grécia vive o período mais conturbado desde que aderiu ao Euro. Sem dinheiro, esta terça-feira termina o prazo para Atenas reembolsar o Fundo Monetário Internacional em cerca de 1,6 mil milhões de euros. O incumprimento paira no ar. Nas últimas semanas, o governo liderado por Alexis Tsipras tem-se desdobrado em reuniões com os credores internacionais, mas a negociação caiu num impasse e o Banco Central Europeu recuou no financiamento do setor bancário grego.

No sábado, o Parlamento grego aprovou a realização de um referendo para 5 de julho para ouvir o povo sobre as propostas dos credores, ao mesmo tempo o Governo decidiu encerrar os bancos até 7 de julho e impor um controlo preventivo de capitais — os gregos têm agora um limite de 60 euros para levantamento diários. A bolsa de Atenas também encerou portas.

Para que perceba o que se passa, a euronews mostra-lhe quem detém dívida helénica e explicamos-lhe quais são as consequências de uma eventual falência da Grécia.

A situação atual

a Grécia deveria a sair de uma recessão que dura desde 2009. A economia contraiu cerca de 25 por cento e a dívida disparou para 175 por cento do PIB, o equivalente a 324 mil milhões de euros, segundo Open Europe e o Mecanismo europeu de Estabilidade Financeira. É uma situação que ultrapassa em muito os limites fixados pelos tratados europeus, isto é, um endividamento de 60 por cento do PIB.

O governo de Alexis Tsipras prometeu pôr fim a anos de austeridade, de “humilhação” e “sofrimento”. A linha governativa anti-austeridade preocupa os credores internacionais e o recente finca pé helénico está a abalar os suportes da moeda única.

Este verão, Atenas vê vencer cerca de 10 mil milhões de euros de obrigações.

Quem detém a dívida grega?

Após a reestruturação de 2012, a maioria da dívida grega, cerca de 85%, está atualmente nas mãos de países, fundos e instituições da zona euro (Gráfico 1). Seguem-se outros credores, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), membro da “troika”.

Em termos da zona euro (gráfico 2), as quatro maiores economia são as mais expostas. A Alemanha detém mais de 56 mil milhões de euros da dívida grega. Surge depois a França, com mais de 42 mil milhões, Itália (mais de 37 mil milhões) e Espanha (mais de 24 mil milhões).

Portugal detém 1,102 mil milhões de euros da dívida helénica.

A posição da Grécia

O novo governo grego deixou claro que não pretende abandonar as suas promessas eleitorais, ou seja, pôr fim às medidas de austeridade. E não tardou a agir.

O ministro das Finanças, Giannis Varoufakis, pretende renegociar e reestruturar a dívida. Pelo menos uma parte.

Os países membros da união monetária, de Portugal a Itália, sem contar com a Alemanha, opõem-se a um perdão da dívida. O ministro francês das Finanças, Michel Sapin, admite: “Podemos discutir, adiar ou aliviar, mas não perdoar a dívida”.

Na mesa estão, por isso, algumas soluções, como a redução das taxas de juro ou o prolongamento do prazo de reembolso.

O ministro das Finanças grego, Yannis Varoufakis, tem afirmado recorrentemente que “quando dois parceiros têm de discutir um problema há duas soluções: Sentam-se face a face ou lado a lado e mas enfrentam o problema”. O braço-de-ferro mantém-se, o tempo esgota-se.

Qualquer decisão sobre a dívida grega terá consequências. Primeiro para os países europeus que beneficiaram de ajuda internacional. Irlanda, Portugal, Espanha e Chipre estão atentos às negociações.

Em caso de falência da Grécia (gráfico 3), os países detentores de obrigações terão de assumir perdas. No caso da Holanda estas ascendem a 708 euros por cada cidadão. E 105 euros por cada português.