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Hungria: O modelo para o problema dos empréstimos em divisa suíça

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Hungria: O modelo para o problema dos empréstimos em divisa suíça

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A Hungria era um dos países mais expostos aos empréstimos em francos suíços, mas a intervenção do governo permitiu limitar o impacto da recente subida da divisa helvética.

László Szilágyi comprou o apartamento em 2006. Pagava a início 200 euros mensais, mas as prestações duplicaram após a crise. Acabou por emigrar para Inglaterra para pagar o empréstimo do apartamento que não usa em Budapeste. Com a intervenção do governo, as prestações baixaram, mas ele não pretende regressar, por agora.

Máté Gerhardt pediu um empréstimo em francos suíços para comprar o carro.

O veículo custou 8 mil euros, mas com a subida das prestações, no final, irá pagar cerca de 14 mil. Como o crédito não é imobiliário não pode beneficiar da medida do governo. Máté reconhece que deveria ter sido mais cuidadoso e pondera ir a tribunal, pois explica, “há muitos processos legais similares” ao seu, em que os bancos não explicaram quais seriam os riscos.

Desde 2011, por entre polémicas, o governo de Viktor Orban implementou um esquema de conversão dos empréstimos de divisa estrangeira em florins e fixou uma taxa de câmbio inferior à do mercado.

Os países vizinhos ponderam medidas semelhantes. Mas é difícil, segundo Zoltán Kovács, porta-voz do executivo: “Alguns países vizinhos estão interessados, como a Croácia, a Roménia e a Polónia, em parte. Mas têm de saber que o modelo húngaro não surgiu de um momento para o outro. Foi criado através de um longo processo, de mais de três anos, numa altura em que tínhamos uma atmosfera adequada para lidar com um problema e uma estrutura complexa”.

Com a recente subida do franco suíço, os húngaros terão poupado cerca de 10 mil milhões de euros.

O perito económico András Mihálovtis fala de uma conjugação de fatores: “O modelo húngaro pode funcionar com a feliz combinação de muitos fatores. Não penso que possa ser copiado por outros países, porque a situação legal e económica é muito diferente nos países que têm o mesmo problema. Tenho de dizer que foi um passo extremamente arriscado, mas que, finalmente, se revelou feliz.”.

Mas, as famílias húngaras ainda detêm 1,7 mil milhões de euros de empréstimos em divisa estrangeira, sobretudo, para a compra de carros. A crise e o desemprego acentuam as dificuldades e o governo rejeita uma nova intervenção.

Na Croácia, as autoridades tentam uma medida semelhante à húngara.

O Parlamento aprovou a lei que fixa uma taxa de câmbio para os empréstimos em francos a um valor anterior à decisão do banco central da Suíça. A medida vai vigorar um ano. Os bancos vão ter de assumir perdas.