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Ucranianos em apuros também devido aos créditos à habitação em dólares

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Ucranianos em apuros também devido aos créditos à habitação em dólares

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A Ucrânia vive há quase um ano mergulhada num sangrento conflito civil no leste do país. Mas outros problemas colaterais começam também a vir ao de cima e a aumentar o sufoco de algumas familias. É o caso dos créditos à habitação contrraídos em dólares, prática que foi corrente até ao estalar da crise de 2008 porque as taxas de juro eram muito mais baixas do que se fossem contraídos em grívnias, a divisa ucraniana.

Tudo mudou, entretanto. A flutuação do dólar, em clara valorização face a uma grívnia em queda acentuada, fez disparar as mensalidades dos pagamento destes créditos indexados ao dólar. Os salários ucranianos deixaram de ser suficientes.

Natalia Korovay, por exemplo, contraiu poucos meses antes da crise, em 2008, um empréstimo em dólares para comprar, ainda solteira, um apartamento avaliado em 95 mil dólares. Na altura, na divisa ucraniana, este valor significava cerca de 470 mil grívnias. Com a atual cotação do dólar face à moeda ucraniana, a mesma casa vale quase 2,5 milhões de grívnias. A mensalidade, claro, disparou.

Comparação dólar-euro-grívnias
(fonte Oanda.com)

18 de fevereiro de 2008: 1 dólar = 0,68 euros = 4,95 grívnias

18 de fevereiro de 2015: 1 dólar = 0,87 euros = 26,25 grívnias

“Eu costumava pagar 760 dólares por mês. No último verão, o nosso rendimento familiar – incluindo o salário do meu marido – já não nos permitiu pagar o empréstimo”, lamenta-se Natalia Korovay, à euronews.

O banco sugeriu, entretanto, a Natalia a venda a casa para pagar o empréstimo. Problema: o valor dos imóveis ucranianos caiu para metade. O que ela conseguiria pela casa não lhe permitiria resolver a dívida ao banco.

Uma solução pode passar por uma eventual reestruturação dos créditos para a moeda ucraniana, à taxa de janeiro do ano passado (1dólar = 8,2 grívnias), algo que está a ser estudado por instituições de crédito ucranianas, o Banco Central da Ucrânia e grupos de defesa de titulares de créditos à habitação em dólares.

A mudança poderá incluir o apagar da diferença de juros entre o empréstimo em dólares e em grívnias, o que poderá representar o perdão a quase metade do crédito face aos valores atuais.

“Para os que comprarem casa para habitação própria e permanente, os bancos estão dispostos a perdoar metade do empréstimo depois da reestruturação do crédito. Para outro tipo de empréstimos, até 25 por cento”, explicou-nos Roman Shpek, antigo ministro da Economia e atual presidente do Conselho de Administração da NABU, a associação independente dos bancos da Ucrânia.

Num país assolado por um conflito civil há quase um ano, a solução para estes ucranianos com créditos em dólares não se afigura fácil. Na altura do contrato ninguém suspeitava o que se iria passar e parecia um excelente negócio. Agora, tudo mudou e há quem tenha ainda bem mais de 10 anos pela frente para pagar as casas ao banco e com mensalidades proibitivas para a realidade atual de país ainda entregue às armas e de futuro incerto.